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vultos da ciência

Os pioneiros

João Moreira Salles | Edição fields, Agosto 2014

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O retorno: ensinar ciência onde não há tradição enraizada de pesquisa é difícil. Os quatro senhores que aparecem neste retrato julgaram que valia a tentativa. Matemáticos notáveis com perspectiva sólida de carreira fora do país, onde lecionavam ou vinham de se doutorar, cada um, a seu tempo, decidiu voltar para o Brasil. Pertencem ao período heroico do Impa, quando tudo ainda estava por fazer. Em 1971, ajudaram a organizar um simpósio internacional de matemática que reuniu alguns dos mais destacados cientistas do mundo. Era o início da decolagem.

“Ensinar na França ou nos Estados Unidos não é o mesmo que ensinar no Brasil”, diz Elon Lages Lima (o de camisa branca). “Aqui, você está desbravando. Lá, está contribuindo para solidificar o que já está pronto. Com ou sem você, o mundo segue do mesmo jeito.” Por causa deles, o mundo não seguiu do mesmo jeito. Juntos, os quatro formaram 74 doutores, que, por sua vez, formaram outros 207.

Da esquerda para a direita: Mauricio Peixoto, cearense, 93 anos, dinamicista, é um dos pais fundadores do Impa. Manfredo do Carmo, alagoano, 86 anos, implantou a geometria diferencial no Brasil; Elon Lages Lima, alagoano, 85 anos, topólogo, publicou 41 livros sobre matemática, seis dos quais destinados à formação de professores do ensino médio; Jacob Palis, mineiro, 74 anos, dinamicista, levou o Impa a ser reconhecido como centro de excelência mundial em certos campos da matemática.