CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025
Os rios invisíveis
Placas de rua lembram cursos d’água soterrados na capital mineira
Karla Monteiro | Edição 221, Fevereiro 2025
O ar estava irrespirável em Belo Horizonte. Fazia mais de 150 dias que não chovia, e a fumaça das queimadas continuava vagando pelo céu da cidade na manhã de 28 de setembro passado. De dentro do carro, com as janelas fechadas, a artista Isabela Prado, de 51 anos, aponta para as placas que ela instalou nas esquinas: “Acaba Mundo”, “Mendonça”, “Serra”, “Zoológico”, “Leitão”…
No mesmo formato das placas com o nome das ruas, mas com as cores invertidas (letras azuis sobre fundo branco), as sinalizações feitas pela artista indicam os cursos d’água que, no passado, antes da construção da capital mineira, corriam a céu aberto. Graças a essas placas, pedestres e motoristas descobrem agora que estão trafegando por cima de rios invisíveis – ou invisibilizados, como Prado prefere dizer.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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