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Poesia

Cobras, lagartos e excremento bovino cantados em versos fesceninos

Roberto Pompeu de Toledo | Edição 9, Junho 2007

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VOX ANIMALORUM

Em palpos de aranha, já farto,
ouvindo cobras e lagartos,
engulo sapos, dois a dois,
ponho o carro à frente dos bois,
tento, numa só cajadada,
pegar dois coelhos ─ que nada;
tropeço, insisto, arrasto as mágoas
… e dou com os burros n’água.

No mato, para onde corro,
percebo que estou sem cachorro.
Gato escaldado, mesmo fraco,
prossigo, e ao dar com os macacos
ordeno: “Cada um no seu galho!” ─
mas se juntam e me avacalho
Encaro a cobra e mato ─ mas qual!
… esqueço de mostrar o pau.

 

Agora chove, e é em vão que falo:
“Por favor, tirem o cavalo”.
Aceito o abraço do urso, vacilo
às lágrimas do crocodilo,
ouso cantar de galo, e no ato
apanho o mico e pago o pato;
sofro, caio, trombo me aleijo
… enquanto a vaca vai pr’o brejo.

Engulo mosca além da conta,
giro como barata tonta,
e na hora em que a porca torce o rabo,
que vem a ser, ao fim e ao cabo,
a mesma em que a onça bebe água,
atraio a porca e a onça, afago-as,
apresso-me a fugir de esguelha
… mas fica a pulga atrás da orelha.

Ouço um tropel. O chão sacode.
Lá vêm: expiatórios bodes,
criadas cobras, negras ovelhas,
vacas de presépio em parelha,
espíritos de porco em revoada…
Ganho montaria p’ra escapada:
é cavalo dado, um presente
… mas não agüento e olho os dentes.

 

Pronto. Chega de estripolias.
Moral da história, exata e fria:
não fosse a bicharada amiga,
como expor as muitas intrigas,
as peripécias e as dissídias
que fazem parte desta vida?
Dito o quê, repouso das canseiras
… pensando na morte da bezerra.

 

RIMAS EM UNDA

Dona Raimunda,
ao dar no zôo com a cara infacunda
do camelo, pálpebras caídas
como gente moribunda,
pensou em livrá-lo de sina tão nauseabunda
e sugeriu:
─ Afunda para dentro essa primeira corcunda,
afunda com jeito também a segunda,
acomode-as atrás, dá-lhes
acolchoada consistência e forma rotunda,
e verás que a felicidade te inunda,
pois…
… terás ganhado uma bunda!

 

 

RIMAS EM ARES

No início o casal era só olhares,
cantares, encantados vagares.
Sem falar nos abraçares, beijares,
e navegares em deliciosos mares.

Seguiram-se certas dores e azares,
mas nada que por algum momento
os castigasse com maior tormento.

Hoje, avançados no casamento,
engajam-se, a intervalos regulares,
Em relações sexuais protocolares.

 

BULLSHIT

Americanos dizem o palavrão “bullshit”
a tudo que lhes pareça fora de regra:
nonadas, despropósitos, tolices.
“Bullshit”, repetem, volta e meia,
como se fosse o cúmulo
de coisa errada, ruim e feia.

E no entanto “bullshit”, que nada mais é,
em tradução certa e decente,
senão bosta de boi (ou de vaca);
esse “bullshit”, quando referente
à concreta e pura bosta bovina,
que coisa admirável denomina:
uma bosta boa, de exemplar formato,
densa consistência, tom esverdeado
do puro mato que é seu recheio,
não distante de um fruto na aparência,
e até, ao contrário do normal das bostas,
de cheiro agradável, para quem não vem
com preconceito ou demasiada exigência.

Entre as bostas de toda a animália,
o homem incluído, não há uma que valha
mais que a da vaca, razão pela qual,
em vez de coisa desprezível,
ruim, estapafúrdia ou banal,
a expressão “bullshit” devia querer dizer:
─ que sublime!, que belo!
que coisa fenomenal!

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo, jornalista e escritor, é colunista de Veja. Publicou A Capital da Solidão: Uma História de São Paulo das Origens a 1900 e o romance Leda, ambos pela Objetiva.

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