tribuna livre

Presidencialismo do desleixo

O modo Bolsonaro de governar

Fernando Limongi
A atenção dedicada por Bolsonaro à agenda legislativa é nula, se comparada à importância que ele dá aos interesses da família. Prioridades são prioridades, e a família está acima de tudo
A atenção dedicada por Bolsonaro à agenda legislativa é nula, se comparada à importância que ele dá aos interesses da família. Prioridades são prioridades, e a família está acima de tudo CRÉDITO: ROBERTO NEGREIROS_2019

Jair Bolsonaro tem uma agenda. Logo após tomar posse, editou decretos, assinou medidas provisórias e enviou projetos de lei ao Congresso Nacional. Como as atenções se concentraram na PEC da Previdência, o conteúdo de sua agenda foi relegado a um plano secundário. A Previdência, contudo, não figura no centro das preocupações do presidente. Em mais de uma ocasião, ele demonstrou contrariedade por se ver forçado a patrocinar essa medida impopular e, sempre que pôde, evitou se pronunciar sobre o assunto. Os interessados na aprovação agradeceram o silêncio, pois cada fala presidencial representava um risco à aprovação da reforma.

O que realmente importa a Bolsonaro são propostas como o decreto que libera a posse de armas, a retirada de radares das estradas, a MP da Liberdade Econômica e outras medidas do gênero. Mas é exagero dizer que essas questões o mobilizam. Mais correto seria afirmar que são coisas que passam pela cabeça dele, questões pelas quais se interessa – o que não significa que se esforçará para aprová-las. Quando não pôde fazer valer sua vontade assinando decretos, Bolsonaro pouco ou nada fez para transformar seus projetos em lei. E isso vale também para as medidas provisórias que editou.

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Fernando Limongi

É cientista político, professor titular aposentado da USP, professor da FGV e pesquisador sênior do Cebrap

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