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O pesadelo de volta

Um historiador da ditadura é processado por um general

Danilo Marques | Edição 233, Fevereiro 2026

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Conhecido como o AI-5 das universidades, o decreto-lei nº 477, de 1969, criminalizou a prática de greves e manifestações políticas no ambiente universitário durante a ditadura militar. Aos 19 anos, quando era aluno de história na UFRJ, Francisco Carlos Teixeira da Silva foi denunciado, com base nesse decreto, por um professor que atuava na organização paramilitar Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O estudante fazia parte da Tendência Bolchevique da Quarta Internacional, uma organização trotskista. Foi preso, torturado e solto pouco tempo depois.

Já professor assistente da Universidade Federal Fluminense (UFF), Teixeira da Silva se viu obrigado em 1978 a apresentar à instituição um “atestado de ideologia” – que era emitido por um dos mais infames órgãos da repressão, o Departamento de Ordem Política e Social (Dops). “Ir até a Rua dos Inválidos [onde ficava a sede do Dops no Rio] era o mesmo que se colocar na boca do lobo”, diz Teixeira da Silva à piauí. Ele não foi ao Dops e não obteve o documento. Ficou um ano sem salário, mas não abandonou o trabalho na universidade, imaginando que o regime militar logo cairia (a ditadura só terminou em 1985).

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