obituário

Um engenheiro e suas obras imateriais

As pesquisas pioneiras de Mauricio Peixoto na matemática

Fernando Tadeu Moraes
A longevidade intelectual de Mauricio Peixoto foi espantosa. Produziu matemática e escreveu artigos até os 93 anos. “Trabalhava duro, muitas vezes varando a madrugada”, disse sua mulher
A longevidade intelectual de Mauricio Peixoto foi espantosa. Produziu matemática e escreveu artigos até os 93 anos. “Trabalhava duro, muitas vezes varando a madrugada”, disse sua mulher ILUSTRAÇÃO: CAIO BORGES_2019

Poucos matemáticos carregam a distinção de terem dado uma contribuição decisiva a um campo de pesquisa, dessas capazes de mudar-lhe o curso e dividi-lo em um antes e um depois. Mauricio Peixoto, que morreu no dia 28 de abril, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, fez isso e mais um pouco. Seu trabalho teórico, sem dúvida, “mudou a história da área de sistemas dinâmicos”, afirmou Marcelo Viana, diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o Impa, que Peixoto ajudou a fundar na década de 50, hoje um dos raros centros de excelência – em qualquer área do saber – sediados no Brasil.

Os resultados das pesquisas feitas por Mauricio Peixoto, além de impulsionar e dar vida nova aos estudos dos sistemas dinâmicos em todo o mundo, mudariam também a história institucional da matemática no Brasil: sua área de expertise se tornaria o campo em que alguns dos melhores matemáticos brasileiros, como o próprio Viana e Artur Avila, vencedor da Medalha Fields em 2014, fariam suas mais importantes descobertas. Se o Brasil tem relevância na atual geopolítica da matemática, é por causa de um acúmulo de décadas de estudos nessa área bem específica, tradição em grande medida fundada por Peixoto.

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Fernando Tadeu Moraes

É jornalista e escreve editoriais para a Folha de S.Paulo