Sylvie Weil em Campos do Jordão, nos anos 1940, com a galinha que foi seu primeiro amor: “As lembranças que tenho do Brasil são o jardim, o triciclo, a casinha e as canções” CRÉDITO: ACERVO PESSOAL
Uma companhia incômoda
A pensadora francesa Simone Weil, na visão de sua sobrinha
Leda Cartum | Edição 226, Julho 2025
Paris, meados de 1911. Uma menina de 2 anos, sentada no berço, folheia um livro ilustrado: um volume da série infantil clássica da Larousse, Les livres roses pour la jeunesse (Os livros cor-de-rosa para a juventude), dedicado à história dos antigos romanos. O livro é de seu irmão, dois anos e nove meses mais velho. A menina, que ainda não sabe ler, vira as páginas e examina as figuras ilustrando o grande império – o maior do Ocidente – que durou cinco séculos. É então que, de outro cômodo, os pais a escutam gritar: “É verdade que esses romanos existiram? Eu tenho medo dos romanos!”
Essa é uma das tantas anedotas que se contam sobre a vida da pensadora francesa Simone Weil. Desde a primeira infância, e durante os pouco mais de trinta anos em que esteve neste mundo, ela sempre manifestou ideias extraordinárias – extraordinárias até demais, confessou o seu pediatra, que achava que uma criança capaz de dizer as coisas ditas por ela não tinha como continuar vivendo por muito tempo. Com 3 anos, Weil ganhou um anel de presente e recusou: “Não gosto de luxo!” Com 6 anos, mandava rações de açúcar e até um ovo de Páscoa para os soldados no front da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Também nessa época decidiu adotar um soldado, enviando para ele o dinheiro que conseguia com pequenos trabalhos domésticos.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
ASSINE