questões midiáticas

Uma nova imprensa

Como os jornais perderam o passo na era da informação virtual

Rodrigo Mesquita
Rodrigo com o pai, Ruy Mesquita, no Alto Rio Negro, na Amazônia, em 1994: no ano seguinte, a <i>Newsweek</i>, então a maior semanal do mundo, diria que a internet era coisa de lunáticos
Rodrigo com o pai, Ruy Mesquita, no Alto Rio Negro, na Amazônia, em 1994: no ano seguinte, a Newsweek, então a maior semanal do mundo, diria que a internet era coisa de lunáticos CREDITO: ACERVO PESSOAL

A imprensa cruzou os braços em 1995, quando a web nascia comercialmente. O mundo andou, e os gigantes da tecnologia conquistaram o seu mercado e dominaram o centro de uma estrutura construída pelos cientistas da década de Woodstock, ungidos pelo espírito libertário dos anos 1960, com o objetivo de que ninguém tivesse o controle da nova infraestrutura, que cresce pelas beiradas e empodera a célula, o indivíduo. Essa infraestrutura, que gerou a nova mídia, é a internet, cujos fluxos de informações, em função do domínio dos gigantes da tecnologia, estão apoiados e formatados pela publicidade, deixando a audiência exposta a operações de manipulação informativa num nível que acadêmicos, legisladores e mesmo jornalistas somente agora começam a entender de fato.

Em 2008, ano da crise financeira, quando já havia perdido o mercado de pequenos anúncios e começou a ficar sem os grandes anunciantes, a imprensa finalmente acordou. Mas acordou apenas para o potencial da rede de distribuir informação, atuando no novo ambiente midiático em formato broadcast – de um ponto para milhares, ignorando a via de retorno. Desconsiderou o fato de que tinha passado a atuar num novo ecossistema de informação, onde ninguém tem o domínio da opinião pública e todos podem interagir, articular, escrever, editar e publicar – um ecossistema muito diferente do antigo meio jornalístico, fechado e reservado a poucos nos seus predicados de interação e articulação.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES

Rodrigo Mesquita

É jornalista. Trabalhou no Jornal da Tarde e na Agência Estado. Desenvolve projetos de redes de informação e comunicação

Leia também

Últimas

A noite mais fria, na capital mais fria

As histórias de quem vive nas ruas geladas de Curitiba  - e por que muitos ainda recusam acolhimento nos abrigos públicos

O limbo brasileiro em Cannes

No maior festival de cinema do mundo, protestos contra Bolsonaro e apreensão com o futuro dos filmes no país

Após o fogo, o remendo

Um dia depois do incêndio em galpão da Cinemateca Brasileira, governo publica chamada aguardada há quase um ano para tentar resolver crise da instituição; proposta inclui até cobrança de taxa para quem quiser guardar filmes no acervo

Foro de Teresina #161: Bolsonaro, o Arenão e suas obras

O podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Cinemateca Brasileira em chamas

Filmes e documentos foram relegados a abandono criminoso; incêndio de hoje se tornou tragédia anunciada

A farra das emendas pix no Congresso

Deputados e senadores já liberaram mais de 1 bilhão de reais em dinheiro público transferido diretamente para o caixa de estados e municípios, sem finalidade definida nem transparência

‘Bico’ proibido emprega ao menos 47 mil guardas e policiais

Pesquisa inédita revela que 6% dos profissionais da segurança pública admitem trabalhar por fora em segurança privada - o que é barrado por lei

Mais textos