Igualdades

A multiplicação de candidatos

Luigi Mazza, Plínio Lopes e Renata Buono
05out2020_11h19

O fim das coligações partidárias nas eleições para vereador teve um efeito claro: cada partido lança seus próprios candidatos, e com isso o número de postulantes na eleição deste ano cresceu significativamente. A quantidade de candidatos a prefeito nas capitais do país aumentou 50% na comparação com 2016 – isso porque, nessa nova configuração, muitas vezes são eles que servem de cabo eleitoral para os vereadores de seus partidos. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também sinalizam que a onda conservadora que tomou o país em 2018 continua presente nas eleições deste ano. Na comparação com a última eleição municipal, o número de policiais militares concorrendo a prefeituras quase triplicou. Para cada médico que se lançou candidato, há dois militares e policiais. Do mesmo modo, postulantes que carregam “pastor” ou “pastora” no nome são 30% mais numerosos do que em 2016. O =igualdades faz um retrato de quem são os candidatos nas eleições de 2020, e mostra quais grupos vêm ganhando maior representatividade eleitoral no país.

candidatos, eleição, capitais

Em 2020, 320 candidatos se inscreveram para concorrer ao cargo de prefeito nas 26 capitais brasileiras onde existe esse cargo. Em 2016, foram 209 candidatos. Em 2012, o número foi ainda menor: apenas 197. Isso significa que, para cada 10 candidatos a prefeito nas capitais em 2016, agora são 15 candidatos concorrendo em 2020.

O PT lançou candidatos a prefeito em 425 cidades do Nordeste para as eleições municipais de 2020. Isso é mais que o triplo do número de cidades do Nordeste em que o PSL lançou candidatos a prefeito (125).

Este ano, 182 mil mulheres se candidataram a prefeita, vice-prefeita e vereadora – o equivalente a 33 de cada 100 candidaturas. É o maior número de mulheres já registrado em uma eleição no Brasil. Em 2016, elas eram 32 a cada 100 candidatos. Em 2012, eram 31. Em 2008, apenas 21. Houve um crescimento expressivo a partir de 2009, quando entrou em vigor a lei que obriga os partidos a terem ao menos 30% de mulheres entre seus candidatos.



O número de policiais militares se candidatando a prefeito quase triplicou em 2020. Na eleição de 2016, 71 PMs concorreram a prefeituras no país inteiro. Na eleição deste ano, são 193 PMs.

Na eleição municipal de 2016, um total de 3.328 candidatos usou “pastor” ou “pastora” no nome com que foi às urnas. Em 2020, esse número saltou para 4.468 – um aumento de mais de 30%. Ou seja: para cada 20 pessoas que usaram “pastor” no nome de candidato em 2016, 27 pessoas passaram a usar em 2020.

Ao todo, 6,7 mil policiais e militares estão se candidatando a prefeito, vice-prefeito e vereador nas eleições deste ano. O cálculo leva em conta policiais civis e militares, membros das Forças Armadas, militares reformados e bombeiros militares. Isso dá mais que o dobro do que os 2,7 mil médicos que vão disputar esses mesmos cargos.

Ao todo, 91 candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador adotaram o nome Bolsonaro para tentar se eleger este ano. Eles se dividem por 18 partidos. A maior parte está no PSL (22 Bolsonaros), Patriota (13), Republicanos (9), PRTB (7), PSD (5) e PP (5). Os outros 30 seguidores do presidente estão no DEM, DC, PL, PSC, Avante, Cidadania, PMN, PMB, MDB, Podemos, PSB e PTB. Em 2016, somente 4 candidatos se registraram com esse nome.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí, produtor da rádio piauí e diretor do podcast Foro de Teresina

Plínio Lopes (siga @Plluis no Twitter)

Repórter freelancer, trabalhou na Agência Lupa e é especializado em jornalismo de dados e fact-checking

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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