Igualdades

O novo cardápio dos brasileiros

Luigi Mazza e Renata Buono
13abr2020_11h36

O arroz com feijão e farinha é o prato basilar da dieta dos brasileiros, mas está desprestigiado. Nos últimos quinze anos, o consumo desses alimentos caiu 46% no país, ao passo que os produtos ultraprocessados inundaram o mercado e o cardápio das famílias. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, que também mostra que, no Brasil, o prato de comida é um no topo da pirâmide e outro na base. No andar de cima, há mais que o dobro de comida, muitas frutas e cerveja. No andar de baixo, que abarca a maior parte da população, há muito sal e muito açúcar. O =igualdades fez um retrato do que os brasileiros comem em casa.

O consumo de arroz, feijão e farinha de mandioca caiu bastante nos últimos anos. Em 2003, a aquisição per capita desses alimentos nos domicílios era de 52 kg. Em 2018, passou a ser de 28 kg.

Nos últimos quinze anos, alimentos como feijão, arrozmacarrão e carne perderam espaço na dieta dos brasileiros, embora ainda sejam muito consumidos. Já a aquisição de ovos quase dobrou. Refeições prontas e alimentos industrializados também ganharam espaço.

A dieta do brasileiro médio é dividida assim: a cada 100 kg de alimento consumido, 50 kg são de alimentos in natura ou muito pouco processados (como arroz, feijão, ovos, carne, macarrão); 22 kg são de ingredientes processados (como óleo e açúcar); 18 kg são de alimentos ultraprocessados (como biscoitos, bolos e massa de pizza); e 10 kg são de alimentos processados (como pão e queijo).

Na divisão de faixas de renda feita pelo IBGE, o grupo mais pobre tem renda familiar mensal de até dois salários mínimos (até R$ 1,9 mil). Já o grupo mais rico tem renda superior a 15 salários mínimos (mais de R$ 14,3 mil). Ou seja, o grupo mais rico recebe, pelo menos, oito vezes o dinheiro que o grupo mais pobre recebe.

No grupo de famílias mais ricas, segundo os critérios do IBGE, cada pessoa consome uma média de 429 kg de alimentos e bebidas por ano. Isso é mais que o dobro do que consomem as pessoas nas famílias mais pobres (199 kg por ano).

Os alimentos ultraprocessados são mais consumidos entre os ricos. Um brasileiro do grupo mais pobre come, em média, 25 kg de alimentos desse tipo por ano. Já um brasileiro do grupo mais rico come, em média, 106 kg.

Os mais ricos, no Brasil, comem o dobro de frutas que os mais pobres, em média. Algumas frutas ilustram essa desigualdade de forma mais clara: a cada morango comido por uma pessoa do grupo mais pobre, 22 são consumidos por uma pessoa do grupo mais rico.

Os mais pobres comem mais sal e mais açúcar do que os ricos. Uma pessoa do grupo mais pobre consome, em média, 1,5 kg de sal por ano, enquanto um rico consome 1,3 kg. No caso do açúcar, a diferença é maior: um pobre consome, em média, 11,2 kg por ano, enquanto o rico consome 8,6 kg.

Enquanto uma pessoa do grupo mais pobre bebe, em média, 2 litros de cerveja por ano, uma pessoa do grupo mais rico bebe 15 litros.

Fonte: Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE; dados referentes ao período de julho de 2017 a julho de 2018.

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

leia mais

Últimas Mais Lidas

A noite mais fria, na capital mais fria

As histórias de quem vive nas ruas geladas de Curitiba  - e por que muitos ainda recusam acolhimento nos abrigos públicos

O limbo brasileiro em Cannes

No maior festival de cinema do mundo, protestos contra Bolsonaro e apreensão com o futuro dos filmes no país

Após o fogo, o remendo

Um dia depois do incêndio em galpão da Cinemateca Brasileira, governo publica chamada aguardada há quase um ano para tentar resolver crise da instituição; proposta inclui até cobrança de taxa para quem quiser guardar filmes no acervo

Foro de Teresina #161: Bolsonaro, o Arenão e suas obras

O podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Cinemateca Brasileira em chamas

Filmes e documentos foram relegados a abandono criminoso; incêndio de hoje se tornou tragédia anunciada

Mais textos