Igualdades

Sobre o óleo derramado

Luigi Mazza, Amanda Rossi e Renata Buono
04nov2019_10h04

Já faz dois meses que manchas de óleo começaram a aparecer nas praias do Nordeste, dando início a uma das maiores crises ambientais da história do país. Até o momento, foram recolhidas mais de 4,5 mil toneladas de óleo misturado com areia em todos os estados nordestinos. Considerando apenas o óleo, seria suficiente para preencher 27 mil barris de petróleo. E é provável que o número aumente: como esse material tóxico não afunda nem boia, mas fica mergulhado, podem aparecer no litoral novas manchas ainda não identificadas no mar. O =igualdades desta semana explica o que se sabe até agora sobre o óleo encontrado no Nordeste.

O volume de óleo recolhido no Nordeste já ultrapassa 4,5 mil toneladas, segundo estimativas de oito de nove estados da região. Para retirar essa quantidade de material das praias, são necessários cerca de 750 caminhões de eixo simples.

A quantidade removida inclui tanto óleo quanto areia, que acabou sendo retirada junto e equivale a cerca de 10% do volume total. Considerando apenas o óleo, seriam 4 mil toneladas, suficientes para preencher cerca de 27 mil barris.

O navio grego Bouboulina – apontado até agora pela Polícia Federal como responsável pelo vazamento – tem capacidade para carregar 164 mil toneladas. Isso corresponde a 40 vezes o total de óleo que foi coletado até agora nas praias do Nordeste. Ainda não se sabe quanto o navio carregava nem quanto teria vazado.

O navio do Greenpeace que passou pela costa brasileira, o Esperanza, tem capacidade para carregar no máximo 425 toneladas (incluindo tripulação, combustível, bagagens e equipamentos). Para transportar todo o óleo que já foi recolhido nas praias do Nordeste, seriam necessários 10 navios como esse, sem carregar nada além de óleo.

A cada 10 toneladas de óleo e areia removidas no Nordeste, 4 foram no estado de Alagoas, 3 em Pernambuco, 2 no Sergipe e 1 nos demais estados.

Em número de praias contaminadas pelo óleo, o destaque é a Bahia. Dos 283 locais atingidos até 30 de outubro, 74 estão na Bahia. Outros 51 estão no Rio Grande do Norte e 46 em Alagoas.

Na Praia de Jauá, em Camaçari, Bahia, foram recolhidas 3,2 toneladas de óleo com areia. Considerando apenas o óleo, é como se 18 barris tivessem sido derramados apenas nessa praia.

O óleo foi avistado pela primeira vez em 30 de agosto, nas praias de Pitimbu e do Conde, ambas na Paraíba. Portanto, já são dez semanas de desastre ambiental. Até agora, o pior momento ocorreu na oitava semana, entre os dias 18 e 24 de outubro, quando foram registrados 56 novos pontos onde havia óleo. É quase o dobro da primeira semana (30). 

O volume de óleo recolhido até agora em todo o Nordeste é equivalente ao que Petrobras produz de petróleo em pouco mais de 10 minutos.

Fontes: Governos dos estados nordestinos (exceto Maranhão), Marine Traffic, Ibama, Petrobras, Defesa Civil de Camaçari, cálculos do professor da Coppe/UFRJ Paulo Couto e do professor da UPE Clemente Coelho Júnior.

Dados abertos: acesse a planilha que serviu de base para a reportagem. 

Nota metodológica: para converter as toneladas de óleo em barris de petróleo, estimou-se para o óleo uma densidade equivalente a 95% da densidade da água. O resultado em metros cúbicos foi convertido em litros. Cada barril comporta 159 litros de petróleo.



Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí

Amanda Rossi (siga @amanda_rossi no Twitter)

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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