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    Casal de banhistas, com guarda-sol embaixo do braço, desfila na praia de Ipanema na manhã de 11 de dezembro de 1949: um domingo de sol inesquecível para o decoro do carioca FOTO: LUCIANO CARNEIRO, DOUGLAS ALEXANDRE E JOÃO MARTINS_ACERVO JORNAL ESTADO DE MINAS_REVISTA O CRUZEIRO

chegada

Chegou o verão

Cariocas invadem a praia com roupas de gala para anunciar que, apesar de todas as regras e leis, o verão e a bagunça estão aí

Dorrit Harazim | Edição 27, Dezembro 2008

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Entra ano, sai ano, ele chega. Implacavelmente. Em sua versão austral, ele começa com o solstício de dezembro, acaba com o equinócio de março e leva bípedes a todo tipo de comportamentos estranhos à beira-mar. Como desnudar-se , encharcar-se de água salgada e torrar o corpo na brasa solar. Este ano, o momento oficial do início dos desvarios cai, apropriadamente, num domingão – mais precisamente, às 9 horas e 4 minutos do dia 21.

Seis décadas atrás, o Rio de Janeiro, estrela maior de todos os verões brasileiros, e que na época ainda brilhava como capital do país, amanheceu radioso para saudar mais um domingão de praia. O presidente do Brasil era o austero (e abstêmio) marechal Eurico Gaspar Dutra. A cidade de 2,5 milhões de habitantes tinha por prefeito o general Ângelo Mendes de Moraes, e Copacabana se orgulhava dos 773 prédios novos que transformavam o bairro na capital do verão nacional. Mas havia, sobretudo, o delegado Deraldo Padilha. Zeloso patrulheiro do decoro civilizatório nos trópicos, o delegado baixara uma portaria proibindo ao banhista andar sem camisa fora das areias da orla. E na manhã de 11 de dezembro de 1949 postou caminhonetes da polícia, agentes uniformizados e à paisana na efervescente Copacabana para fazer cumprir a lei.

Coube ao munícipe Millôr Fernandes, então com 26 anos, já escritor e cronista da revista O Cruzeiro, além de autor da seção “Pif Paf” sob o pseudônimo de “Vão Gôgo”, ter uma de suas idéias gratuitas. Arregimentou a rapaziada do bairro, convocou algumas vedetes do empresário da noite Carlos Machado e organizou uma passeata-protesto-desfile que entrou para a história do bom humor carioca, enquanto a medida do delegado esfarelou-se no tempo.

 

Os rapazes se apresentaram para o domingo al mare paramentados a caráter, da cintura para cima: no mínimo de paletó, quando não um smoking com chapéu ou uma casaca com cartola e cachecol. De resto, pernocas de fora e pés descalços. Assim desfilaram ao lado de demoiselles envoltas em peles, jogaram suas partidinhas de vôlei de praia, furaram as ondas do mar sem revelar um só pêlo do tórax.

Cavalheiros e damas festejam, a caráter, o verão de Copacabana.

A portaria do delegado Padilha, como era de se esperar, teve eficácia porosa. Não foi a primeira a regulamentar o funcionamento dos balneários cariocas. Em 1906, um estatuto do banhista exigia “uma sala ampla e arejada, destinada a receber os afogados”. Na relação de peças obrigatórias nos postos de pronto atendimento constavam, entre outros, “abridor de boca” e “pincéis para provocar vômitos”.

Onze anos mais tarde, em 1917, o prefeito Amaro Cavalcanti estabeleceu novas normas para reger os banhos do Leme a Copacabana. Banhistas não podiam transitar entre as ruas e a praia “sem uso de roupão ou paletós suficientemente longos, os quais deverão permanecer fechados ou abotoados” até a chegada do usuário na praia. Vozerios e gritos também estavam proibidos, exceto quando fossem pedidos de socorro.

 

Nessa série de medidas não poderia faltar alguma portaria do prefeito Cesar Maia. Segundo o parágrafo 4º do artigo 7º do decreto nº 26.160, de 27 de dezembro de 2005, passou a ser tolerado o seguinte oferecimento aos banhistas, por ambulantes de pontos fixos:

I- 20 (vinte) guarda-sóis, com duas cadeiras de praia cada, no período de 16 de março a 15 de dezembro;

II- 30 (trinta) guarda-sóis, com duas cadeiras de praia cada, no período de 16 de dezembro a 15 de março;

 

III- 10 (dez) espreguiçadeiras de plástico de cor branca, ao longo de todo o ano.


No vôlei de praia, versão fraque-calção-cartola, a derrota maior do a do delegado Adroaldo Padilha


Pelo estatuto do banhista de 1906, a cidade deveria prover uma sala para afogados, com “abridor de boca” e “pincéis para provocar vômito”. Em 1917 só era permitido gritar para pedir socorro.

Dorrit Harazim
Dorrit Harazim

Jornalista, trabalhou nos principais veículos da imprensa brasileira e participou da criação da revista Veja e da piauí, na qual foi editora. Ganhou o Prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia. É colunista de O Globo e publicou O instante certo

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