anais das redes

Buscas por “Bolsonaro + aborto” disparam no Google

Curiosidade foi despertada pelos próprios apoiadores do candidato, que temiam publicação de reportagem sobre o assunto

Marcella Ramos
04out2018_18h57
ILUSTRAÇÃO: PAULA CARDOSO

Na madrugada de quinta-feira, a busca por “Bolsonaro + aborto” bateu recorde no Google, com o maior volume de buscas por esses termos associados já registrado. A curiosidade foi provocada pelos próprios apoiadores do candidato do PSL, a partir da publicação de vídeo gravado por um deles no YouTube.

Mesmo sendo recorde no caso de Bolsonaro, a associação de seu nome à palavra aborto não chegou nem perto do que aconteceu na eleição de 2010. Naquela disputa presidencial, o volume de consultas pela expressão “Serra + aborto” foi dez vezes maior do que agora, no caso de Bolsonaro. Naquela eleição, veio a público no segundo turno a notícia de que a então mulher do candidato do PSDB, Mônica Serra, havia contado em uma aula que fizera um aborto anos antes. O tema já havia sido responsável por levar a eleição para o segundo turno naquele ano, quando circulou um boato de que Dilma Rousseff legalizaria o aborto se fosse eleita presidente, fazendo-a perder votos de eleitores religiosos.

Na madrugada desta quinta-feira, entre 0h20 e 1h40, o volume de buscas pelos termos “Bolsonaro + aborto” foi de 0 ao pico máximo de interesse por essa relação. O horário coincide com o momento em que eleitores do candidato a presidente pelo PSL passaram a divulgar nas redes sociais que uma revista publicaria reportagem sobre Bolsonaro ter “obrigado” a sua ex-esposa a fazer um aborto. Pela manhã, a reportagem não havia sido publicada, mas a correlação estava feita na cabeça dos internautas que pesquisavam sobre o assunto.

A origem da curiosidade foi um vídeo de Joice Hasselmann, candidata a deputada federal pelo PSL em São Paulo, no qual ela diz que estava se antecipando à publicação da reportagem, com uma versão negativa da história envolvendo Bolsonaro e aborto. O assunto viralizou nas mídias sociais. No Twitter, um dos principais posts sobre o tema atingiu 3,5 mil retuítes e mais de 5 mil curtidas. A pesquisa pelos termos “Bolsonaro + aborto” ganhou fôlego. Acabou sendo três vezes maior do que, por exemplo, na última semana.

Antes do aumento nas buscas da madrugada de quinta-feira, as consultas pelos termos tiveram um pico em agosto, quando a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista em que o candidato do PSL afirmou que homens não deveriam intervir na decisão da mulher de interromper a gravidez.

 

Marcella Ramos (siga @marcellamrrr no Twitter)

Repórter e coordenadora de checagem da piauí

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