Eduardo Neves, ao lado da muralha, aponta para o Rio Madeira: na Amazônia, “a fronteira entre a floresta e o jardim permanece fluida”, ele escreveu em um artigo feito com Carlos Fausto CRÉDITO: BERNARDO ESTEVES_2024
Dias melhores, vistos de perto
Uma seleção de nomes retratados nas páginas da piauí que trazem inspiração e esperança
Tigrinhos, fraudes e outros trambiques habitaram as páginas da piauí em 2025 — mas, como disseram Nelson Cavaquinho e Élcio Soares na canção Juízo Final (um clássico do samba), o sol há de brilhar mais uma vez e a luz há de chegar nos corações. Há muitas histórias inspiradoras para serem contadas.
Uma dessas frestas foi aberta pela repórter Consuelo Dieguez na edição_228, ao mostrar como uma tecnologia desenvolvida pelas forças de segurança pública do Distrito Federal ajuda mulheres vítimas de violência a se proteger de seus agressores. Batizado de Viva Flor, o programa de proteção concebeu um dispositivo no formato de um celular conectado 24 horas com um grupo da Polícia Militar especializado na proteção à mulher.
O aparelho busca contrapor um cenário desolador. A escalada no número de crimes de feminicídio no Brasil levou milhares de mulheres a ocuparem ruas de capitais do Brasil na tarde do dia 7 de dezembro, um domingo. Só em 2025, o país já ultrapassou 1.180 crimes deste tipo. Os atos denunciaram a omissão das instituições na proteção de mulheres vítimas de violência e a impunidade dos agressores.
Na reportagem intitulada Não Matarás, Dieguez narra como o aparelho está ajudando a salvar as mulheres – entre 2022 e 2023, o número de denúncias por meio do aparelho aumentou 500%. “Ela pressionou três números e foi imediatamente atendida. Não precisou se explicar muito. Quem atendeu sabia que aquela ligação significava que a copeira estava em perigo”, diz um dos trechos da matéria.
Em julho, na edição_225, o jornalista Fernando Tadeu Moraes mostrou como outra tecnologia, desta vez no âmbito das cirurgias psiquiátricas, podem melhorar a vida de quem possui algum Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Na reportagem Miliamperes no cérebro, ele descreveu como é feito o trabalho do Programa Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (Protoc), sediado no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Por meio da estimulação cerebral profunda, um tratamento ainda raro no Brasil, o grupo de pesquisadores almeja encontrar novas formas de tratamento para o transtorno em pacientes que não respondem a tratamentos convencionais. “Os resultados clínicos têm sido animadores. Dos 7 participantes do estudo acompanhados há no mínimo um ano, 5 apresentaram resposta positiva à terapia e, destes, 2 tiveram remissão completa dos sintomas”, destaca um trecho da matéria.
A perspectiva de novos caminhos na medicina foi explorada também pela repórter Angélica Santa Cruz na edição_211, em abril do ano passado, ao escrever sobre a atuação da médica Ana Claudia Arantes, referência na defesa dos cuidados paliativos no Brasil. Na reportagem Por um Último Suspiro, a repórter descreve como Arantes encabeça a luta para que pacientes possam morrer de maneira digna. Parte de sua missão é explicar que eles podem enfrentar essa jornada com menos sofrimento, com alívio de sintomas e redução de tratamentos penosos que já não conseguem reverter a doença principal.
Sua atuação combativa lhe rendeu popularidade e admiração entre quem acompanha o tema. “Virou uma paliativista pop. Às vezes, fãs tentam puxar sua roupa em eventos, pedem selfies e fazem depoimentos emocionados se topam com ela em filas do aeroporto, shows ou até no exterior”, explica a matéria.
Angélica Santa Cruz também contou a história do epidemiologista Carlos Monteiro, na edição_193, em outubro de 2022. Na reportagem O revolucionário, ela explica como o brasileiro criou o termo “alimentos ultraprocessados”, transformando a forma como países do mundo inteiro estudam os alimentos. De maneira inédita, Monteiro desenvolveu uma classificação de alimentos que chamou de NOVA – uma alusão irônica à explosão que ocorre dentro de uma estrela. A categorização separou os alimentos com base nos níveis de processos físicos, biológicos e químicos pelos quais eles passam.
“Monteiro está no 1% dos cientistas mais citados do mundo por seus pares, de acordo com uma lista elaborada pela consultoria britânica Clarivate Analytics. Em outro ranking, feito pela Public Library of Science (Plos), é o quinto cientista brasileiro com maior número de citações na literatura científica internacional. Nas áreas de alimentação e nutrição, é o primeiro colocado”, descreve Santa Cruz na reportagem.
Em 2023, Monteiro participou de uma das mesas do Festival piauí de jornalismo e, no começo deste ano, ele foi escolhido pelo jornal The Washington Post como uma das 50 pessoas capazes de fazer a diferença em 2025.
Convidado para participar da COP30, em Belém, Eduardo Neves é uma das vozes fundamentais para se entender como se deu a ocupação da Amazônia, além de promover a defesa do bioma, que é alvo constante do desmatamento.
Professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o arqueólogo teve sua história contada pelo repórter Bernardo Esteves em abril do ano passado, na edição_214, na reportagem A Floresta é a Pirâmide, ao acompanhar o profissional por uma expedição na Serra da Muralha, em Rondônia.
“Neves estava radiante como uma criança. Contemplando a paisagem, ele notou que era possível avistar o Rio Madeira, que passa a 9 km dali. Para sua surpresa, também dava para ver a Serra dos Pacaás Novos, que marca a transição entre o Planalto Central e a Amazônia, a quase 200 km dali”. Ao acompanhar Neves, a reportagem mostra como a floresta abrigou muitos povos indígenas, foi um centro produtor e difusor de inovações tecnológicas e o berço da domesticação de dezenas de plantas.
Também coube a Bernardo Esteves descrever, na edição de edição_185, em abril de 2022, como nasceu o primeiro laboratório da América do Sul com tecnologia de ponta para análise de DNA antigo, possibilitando novas descobertas sobre o povoamento das Américas. A reportagem Em busca dos primeiros mostra como os pesquisadores brasileiros e sul-americanos, sediados dentro da Universidade de São Paulo, realizam análises genéticas sem precisar enviar amostras para fora do país, um passo importante para a autonomia científica do Brasil, além de manter no país o patrimônio fóssil encontrado em território nacional.
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