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A juíza

As dificuldades de Cármen Lúcia para lidar com os incêndios da República

Consuelo Dieguez
Cármen Lúcia disse a assessores que cabe aos políticos encontrar, entre eles, um nome caso Temer seja apeado do poder. “Eu respeito muito a política. Mas o meu papel é de juíza”, afirma
Cármen Lúcia disse a assessores que cabe aos políticos encontrar, entre eles, um nome caso Temer seja apeado do poder. “Eu respeito muito a política. Mas o meu papel é de juíza”, afirma FOTO: FELLIPE SAMPAIO_SCO/STF

No começo da noite de 4 de abril passado, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, abriu a ampla porta branca de madeira de sua casa, no Lago Sul, em Brasília, para que eu entrasse. Vestia uma calça de malha cinza, uma camiseta escura e usava chinelos. Era uma das raras vezes em que a ministra se encontrava em casa naquele horário. Normalmente, ela só deixa o tribunal depois das nove. Ao entrar, entreguei-lhe a edição da revista piauí que acabara de ser publicada, cuja chamada de capa informava: “Rafael Cariello vai à Hungria e mostra como uma democracia entra em crise.” Cármen Lúcia leu o texto em voz alta, voltou os grandes olhos escuros para mim e disse, em tom maroto: “Precisava ter ido tão longe?”

Poucas semanas depois daquele comentário espirituoso, a crise na democracia brasileira se agudizaria de forma impressionante. No dia 17 de maio, a Procuradoria-Geral da República encaminhou ao STF um pedido de abertura de inquérito contra o presidente da República, Michel Temer, por suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. No dia seguinte, quando o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo, aceitou o pedido da procuradoria, o principal mandatário do país passou à condição de investigado.

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Consuelo Dieguez

Repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

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