questões energéticas

Colheita amarga

Produção de etanol patina, empresas nacionais são vendidas e país fica longe da ambição de ser uma "Arábia Saudita verde"

Consuelo Dieguez
O presidente Lula empunhou a bandeira do “combustível verde-amarelo” quando a produção de cana dobrou para 600 milhões de toneladas, depois do aparecimento dos carros flex nas ruas do país, em 2003. Com a descoberta do pré-sal, o governo esqueceu do álcool. “Seremos o país do etanol de cana que compra etanol de milho”, prevê um dirigente do setor
O presidente Lula empunhou a bandeira do “combustível verde-amarelo” quando a produção de cana dobrou para 600 milhões de toneladas, depois do aparecimento dos carros flex nas ruas do país, em 2003. Com a descoberta do pré-sal, o governo esqueceu do álcool. “Seremos o país do etanol de cana que compra etanol de milho”, prevê um dirigente do setor FOTO: RICARDO FUNARI_BRAZILPHOTOS.COM

Sertãozinho, no interior de São Paulo, é uma cidade de 112 mil moradores que vive da cana-de-açúcar. Mas sua aparência não tem nada de grotão miserável perdido no tempo. Não se veem trabalhadores andrajosos nem famílias sem eira nem beira vagando pelas ruas, na paisagem humana associada à cultura do açúcar. É uma cidade de classe média cuja população vive em casas de um andar, fachadas limpas e pequenos jardins na frente.

Até 2007, ela ocupava o sexto lugar no ranking das melhores cidades brasileiras, medido por pesquisas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, que levam em conta emprego, nível de renda, saúde e educação. Sertãozinho era o maior polo nacional de produção de máquinas e equipamentos para o setor do açúcar e do álcool. Na maioria, os trabalhadores de lá são operários especializados.

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Consuelo Dieguez

Repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

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