questões existenciais

Elogio ao tédio

Um hino à falta de sentido das coisas

Joseph Brodsky
O tédio representa o tempo em seu estado puro, sem diluição, em todo o seu esplendor repetitivo, redundante, monótono. E nos ensina a lição mais valiosa da vida: nossa absoluta irrelevância
O tédio representa o tempo em seu estado puro, sem diluição, em todo o seu esplendor repetitivo, redundante, monótono. E nos ensina a lição mais valiosa da vida: nossa absoluta irrelevância FOTO: POPPERFOTO_GETTYIMAGES

Mas caso não consigas
manter teu reino,
E, como teu pai antes de ti, vieres
Aonde o pensamento acusa
e o sentimento zomba,
Crê em tua dor…
H. Auden, “Alonso to Ferdinand”

Boa parte do futuro que vocês têm pela frente será tomada pelo tédio.[1] Falo isso hoje, nesta ocasião solene, porque penso que nenhuma faculdade de artes e humanidades prepara as pessoas para essa experiência. Dartmouth não foge à regra. Nem as humanidades nem as ciências oferecem disciplinas sobre o tédio – quando muito, os cursos, entediantes que são, podem nos familiarizar com a sensação. Mas o que é um contato fortuito comparado a um mal-estar incurável? Nem o falatório insuportavelmente chato de um conferencista ou a linguagem empolada e monótona dos livros didáticos chega perto do deserto psicológico que, partindo do quarto de vocês, desdenha do futuro.

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Joseph Brodsky

Poeta russo, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1987. Seu livro de ensaios Menos que Um foi editado no Brasil pela Companhia das Letras

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