carta de buenos aires

Estupor e tremores

A eleição presidencial e a vertigem econômica na Argentina

Josefina Licitra
O dólar subiu e baixou, o risco-país subiu e baixou, acendemos velas para que a próxima parcela do empréstimo do FMI seja liberada
O dólar subiu e baixou, o risco-país subiu e baixou, acendemos velas para que a próxima parcela do empréstimo do FMI seja liberada CREDITO: ROBERTO NEGREIROS_2019

Na segunda semana de agosto, sonhei com o dólar por três noites seguidas. Não me lembro de maiores detalhes além do principal: o dólar sempre disparava e eu sentia meu corpo em queda livre. A sensação de vertigem fazia com que eu despertasse, lançando-me no segundo pesadelo do dia: na vida real – ou, melhor dizendo, na vida que acontece na vigília –, tudo continuava a transcorrer como nos sonhos. Assim como num avião em pane, todos na Argentina estávamos perdendo o rumo, sem no entanto podermos contar com a grande vantagem dos acidentes fatais: a instantaneidade. Nos arreben-távamos aos poucos.

O desastre – ou, ao menos, essa última queda – começou depois das Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso), pleito que transfere ao Estado o custo, tanto político quanto orçamentário, da definição dos candidatos que cada partido ou coalizão apresentará nas eleições. Até 2009, essa decisão era tomada em prévias, convocadas para escolher os candidatos que de fato concorreriam. Mas, dez anos atrás, o método mudou e surgiram as primárias, um sistema que funciona e faz algum sentido em outros nove países, mas que, no domingo, 11 de agosto, na Argentina, se tornou um ensaio geral e caríssimo que permitiu fazer uma estimativa, com dois meses de antecedência, do resultado das eleições finais, já que nenhuma das oito formações eleitorais apresentou mais de uma pré-candidatura.

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Josefina Licitra

Josefina Licitra, jornalista argentina, é autora de El Agua Mala: Crónica de Epecuén y las Casas Hundidas, da editora Aguilar

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