A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Luz no fim da quarentena
  • Retrato narrado
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Luz no fim da quarentena
    • Retrato narrado
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    O retrato do artivista Omaid Sharifi: “Eu te vejo! Quem suborna é um infiel!”, diz o mural pintado em Cabul antes da chegada dos talibãs, que voltam a governar o país após vinte anos

despedida

O silêncio dos muros

Um artivista escapa do Afeganistão e do Talibã

Omaid Sharifi | Edição 181, Outubro 2021

A+ A- A

Sair de Cabul, a capital do Afeganistão, foi uma das decisões mais difíceis da minha vida. Fui obrigado a deixar minha casa, meu trabalho, meus amigos, minha família e minhas raízes, levando comigo apenas uma mochila. Durante cinco dias tentei entrar no aeroporto da cidade, por diversos portões. Em vão. O local parecia um inferno na Terra. Milhares de mulheres, homens e crianças se amontoavam na frente dos portões, tentando entrar também. Talibãs espancavam as pessoas. Saraivadas de tiros eram disparadas de tempos em tempos. Granadas de fumaça estouravam aqui e ali, para espantar a multidão. Só consegui entrar no aeroporto graças à ajuda de representantes de alguns países e parceiros de trabalho. Passei doze horas sob o Sol até pegar o voo que me trouxe no dia 21 de agosto até Abu Dhabi, onde estou agora, em um campo de refugiados.

Sou artista visual e faço parte da Art-Lords, uma organização de artivismo que nasceu há sete anos e foi a primeira a pintar murais no Afeganistão. Em 12 de agosto, três dias antes da chegada dos talibãs a Cabul, nossa equipe havia realizado uma exposição comemorando, nos jardins de um parque da capital, o Dia Internacional da Juventude. Foi um momento de alegria e gentileza para as centenas de afegãos de diversas camadas sociais que acorreram ao local para apreciar as obras de arte, os murais, o teatro de rua, os desenhos animados e os documentários em vídeo. Os murais da ArtLords focavam na tolerância, na inclusão e na paz no Afeganistão.

O domingo seguinte, 15 de agosto, deveria ser um dia rotineiro para a Art-Lords. Num muro de Cabul, fizemos o esboço de um mural cujo tema era também a união e a empatia. Qualquer pessoa que passasse pela rua poderia nos ajudar no trabalho, se quisesse. Estávamos justamente pintando esse mural quando chegou a notícia de que o Talibã havia entrado em Cabul. Não esperávamos que chegasse tão rápido. Deixamos o mural inacabado e corremos à nossa galeria para esconder os trabalhos, antes que o Talibã os destruísse.

Ver o pânico no rosto dos meus compatriotas correndo para chegar em casa ou com o celular na mão tentando desesperadamente falar com os parentes – tudo isso parecia um pesadelo. Mas era a realidade. Tentei ligar para minhas três irmãs e para artistas que trabalhavam comigo e estavam na cidade. Levei uma hora para conseguir falar com eles e dizer que, caso estivessem fora de casa, voltassem a pé, imediatamente, pois havia ruas bloqueadas para a passagem de carros (e algumas até para as pessoas).

Assim começou o caos. Quando entraram em Cabul, os homens do Talibã pareciam alienígenas ou seres de séculos atrás. Como nós, eles estavam em choque. Tinham sofrido antes uma lavagem cerebral e acreditavam que os 4,5 milhões de habitantes da cidade eram infiéis e eram seus inimigos. Porém, quando chegaram, se depararam com numerosas mesquitas e perceberam que os moradores de Cabul são gentis e hospitaleiros. Não era o que esperavam, em absoluto. Eles não conseguiam sequer fixar os olhos nas pessoas.

 

A ArtLords, da qual sou presidente, tem sete escritórios no Afeganistão e um no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Congrega 53 artistas, funcionários e voluntários. Mais de 35% são mulheres. Criamos um espaço seguro para todos os gêneros. Não só heterossexuais cisgêneros, mas também os LGBTQIA+ eram bem recebidos e faziam parte de nossa equipe. Nosso grupo já pintou cerca de 2,2 mil murais no Afeganistão e até em outros países.

Nossa motivação é usar o poder da arte e da cultura para pavimentar o caminho da transformação social e da mudança comportamental. Pintamos muros erguidos em Cabul para conter explosões, buscando converter o impacto psicológico negativo que provocam numa experiência visual positiva. Ao pintar nesses muros os temas que preocupam os cidadãos, conseguimos criar um espaço onde questões sociais podiam ser expressas de maneira visual e discutidas nas ruas, em oficinas abertas de arte. Oferecemos, assim, uma plataforma para o diálogo entre diferentes pessoas do Afeganistão, dando uma “voz visual” àqueles que não têm voz – essa é a dinâmica e o intuito do nosso movimento.

A arte cria espaço para “emoções sem afiliação”, estimula o pensamento crítico e ajuda as pessoas a compreender que, se a guerra é uma experiência compartilhada, apenas um esforço também compartilhado, vindo de dentro da sociedade, pode trazer paz ao Afeganistão, ao Sul da Ásia e ao Oriente Médio.

 

A primeira coisa que o Talibã fez, antes mesmo de anunciar a formação do seu governo, foi destruir os murais da ArtLords. Isso, por si só, mostra o medo que eles têm da arte e da nossa atividade pública. Não existe arte nem cultura sob o domínio do Talibã.

Mas esse não é o fim da história do Afeganistão. Tenho 34 anos e já testemunhei quatro mudanças de regime. Os soviéticos invadiram meu país no final dos anos 1970. Depois que partiram, houve o governo de esquerda de Mohammad Najibullah (de 1986 a 1992), o regime dos mujahedin (de 1992 a 1996), o regime do Talibã (de 1996 a 2001) e a invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos e seus aliados da Otan depois do Onze de Setembro. Ficaram vinte anos. Agora, vemos a volta do Talibã, com a ajuda do mundo inteiro. Um grupo designado como terrorista está, mais uma vez, no poder.

Vivi sob o primeiro governo do Talibã. Naquela época, eles proibiram qualquer expressão artística, destruíram obras de arte e instrumentos musicais, fecharam os cinemas e teatros e puniram os artistas. O Talibã de hoje é exatamente igual. Nada neles mudou. Tanto que os murais coloridos já começaram a ser pintados de branco, apagados, silenciados. Muitos afegãos, especialmente as mulheres e os artistas, estão agora escondidos e correm risco de vida. Não podem ter uma voz. Não podem continuar criando arte.

Agora, a maioria dos artistas se vê forçada a deixar sua pátria, sua casa, sua família e seus amigos para poder ter liberdade de expressão. Mas muitos ainda estão lá. Vivem com medo, esperando que um dia possam deixar o país e recuperar sua voz. Sejam os que saíram, sejam os que ficaram, todos perdemos nossa dignidade e nossa casa. Ainda levaremos muito tempo para processar tudo isso.

Mapa multicolorido: “Ó, pátria, te reconstruirei, com certeza eu mesmo vou te reconstruir”, afirma o mural realizado por membros da ArtLords, organização afegã que reúne 53 pessoas

 

Iconoclastia: antes mesmo de anunciar a formação do seu governo, o Talibã tratou de destruir e cobrir os murais pintados em Cabul, como este que avisa “Eu te vejo e… não esqueço”

 

A orquestra feminina Zhora e o diretor do Instituto Nacional de Música do Afeganistão, Ahmad Sarmast: “Os nossos heróis! Mostremos ao mundo o lado positivo do Afeganistão”, diz o mural

 

Apagamento: a serviço do Talibã, homens cobrem mural para dar lugar à mensagem “Por um sistema islâmico e pela independência, você tem que passar por testes e manter a paciência”

Omaid Sharifi

É artivista e presidente da ArtLords

Leia Mais

despedida

Nem os bichos, nem as árvores, nem as pedras

Um veterinário morto na Faixa de Gaza

23 dez 2025_16h57
despedida

O mexicano de Goiás

Fernando Lopes cantava bolero nos saraus de Juscelino Kubitschek

01 dez 2025_18h33
despedida

Sobre ratos e bêbados

04 nov 2025_14h36
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • Silenciadas
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Maria vai com as outras
  • Luz no fim da quarentena
  • Retrato narrado
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30