anais da aviação

O voo 447

Como uma série de pequenos erros transformou uma cabine de comando altamente tecnológica em armadilha fatal

William Langewiesche
Os pilotos haviam mergulhado num estado de confusão que parece se enraizar no progresso que tanto contribuiu para a segurança aérea nos últimos quarenta anos. Se a automação tornou cada vez mais improvável que pilotos tenham de se defrontar com graves crises durante o voo, ela também tornou cada vez mais improvável que eles sejam capazes de lidar com esse tipo de crise caso ela ocorra
Os pilotos haviam mergulhado num estado de confusão que parece se enraizar no progresso que tanto contribuiu para a segurança aérea nos últimos quarenta anos. Se a automação tornou cada vez mais improvável que pilotos tenham de se defrontar com graves crises durante o voo, ela também tornou cada vez mais improvável que eles sejam capazes de lidar com esse tipo de crise caso ela ocorra FOTO: DARREN HOWIE_VORTEX AVIATION PHOTOGRAPHY

A noite caía sobre o aeroporto do Rio de Janeiro no último dia de maio de 2009. Os 216 passageiros que embarcariam num voo rumo a Paris jamais poderiam suspeitar que não voltariam a ver a luz do sol, ou que muitos continuariam presos a seus assentos por dois anos antes de serem encontrados mortos na escuridão abissal do Atlântico, 4 quilômetros abaixo da superfície das águas. Mas foi isso que aconteceu.

A tripulação do voo 447 da Air France era composta de nove comissários de bordo e três pilotos – um número maior que o habitual devido às limitações de jornada de trabalho legal numa viagem de 9 200 quilômetros que deveria durar por volta de onze horas. Eram pessoas muito bem treinadas, que voariam num Airbus A330 classificado na categoria wide body (fuselagem larga e dois corredores), por uma das mais prestigiosas linhas aéreas do mundo, uma empresa que é o orgulho de todos os franceses.

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William Langewiesche

William Langewiesche, ex-piloto profissional e jornalista americano, é autor de diversos livros e correspondente internacional da revista Vanity Fair, que em sua edição de outubro publicou a reportagem. Tradução de Jorio Dauster. Revisão técnica de Luciano Mangoni.

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