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Presente para desconhecidos

A memória e a história da Terra saem do sistema solar

Dorrit Harazim | Edição 55, Abril 2011

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Dois anos atrás, o físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking, um dos nomes mais conhecidos da ciência contemporânea, fez uma profissão de fé. “Acredito que a vida na Terra está cada vez mais ameaçada de ser extinta por um desastre, que pode ser nuclear, ou devido a um vírus geneticamente criado, ou alguma outra desgraça. A meu ver, a raça humana só tem futuro se for para o espaço.” O reverenciado autor de Uma Breve História do Tempo disse mais: “Para a minha mente matemática, é perfeitamente racional aceitar a existência de seres extraterrestres. O desafio maior está em descobrir como seriam esses seres.”

Hawking não está sozinho na certeza matemática da existência de vida fora do sistema solar. Trinta e seis anos atrás, um conselho de cientistas americanos, presidido pelo astrofísico Carl Sagan, teve a ideia de enviar ao espaço algo destinado a servir de guia da vida no planeta Terra, caso (e quando) fosse encontrado por algum ser inteligente da Via Láctea ou adjacências. Uma espécie de cápsula do tempo destinada a contar a história do nosso mundo a gente não familiarizada com humanos.

O artefato, que continua a zanzar pelo espaço a bordo de duas naves gêmeas, a Voyager 1 e 2, acaba de receber uma turbinada cósmica. Somente agora a Voyager 1 se libertou por completo da influência terráquea e, finalmente, saiu do sistema solar. Em dezembro, quando a nave estava a 17,3 bilhões de quilômetros da Terra, ela deu o passo decisivo rumo a mundos desconhecidos.

 

Iniciou-se, assim, a sua jornada pela heliosfera, e para além dela. A Voyager 2, de trajetória e velocidade diferentes, ainda não chegou lá, mas está a caminho. Por se tratarem de sondas minúsculas (pesam menos de 1 tonelada) quando comparadas à imensidão interestelar, as naves têm escassas chances, em termos de probabilidade matemática, de serem encontradas por uma espécie alienígena, mesmo acidentalmente.

Ainda assim, o charme dos dois discos de ouro que viajam acoplados às naves permanece insuperável.

Cada Golden Record (nome dado aos artefatos) é um disco fonográfico de 30,5 centímetros de espessura, feito em cobre e banhado a ouro. Seu conteúdo é uma seleta de sons e imagens escolhidos à época como representativos da vida no planeta Terra. Foram gravados, ainda em forma analógica, 115 fotos, vários sons naturais, uma coletânea musical e exemplos da fala humana em 55 idiomas vivos e mortos.

 

Dadas as limitações de espaço na placa de cobre, o processo de seleção foi tortuoso, mas todos os integrantes da comissão de Sagan aprovaram o critério básico: nada de política. A seleta deveria celebrar conquistas humanas mais duradouras, independentemente da política.

Para representar os “sons da Terra”, os discos contêm uma miscelânea de registros da natureza, somados a ruídos produzidos pelo homem: a erupção de um vulcão, chuva, ondas do mar, latido de cachorro, apito de trem, beijo, batida de coração, passos humanos e riso, entre outros. Incluem até mesmo uma mensagem latina gravada em código Morse: Per aspera ad astra (“Por ásperos caminhos se chega aos astros”).

As saudações ao eventual interlocutor alienígena estão gravadas em 55 línguas – do acádio falado na baixa Mesopotâmia do século XXII a.C. ao dialeto wu falado por 78 milhões de chineses. Algumas mensagens são de uma banalidade desconcertante. “Paz e felicidade a todos”, diz uma voz feminina impessoal, em português. Outras têm lá a sua graça: “Esperamos que estejam todos bem. Venham nos visitar quando tiverem um tempinho”, convida uma voz em mandarim.“Boa-noite,senhoras e senhores: até logo e até breve”, anuncia o locutor indonésio. A mensagem mais espontânea foi gravada por uma voz infantil, em inglês: “Um hello das crianças do planeta Terra.”

 

 

Produto da era pré-digital, o lote de imagens que viaja rumo ao desconhecido está gravado em 512 linhas verticais. Ele inclui, entre outros, a foto da decolagem de um avião, a pisada do homem na Lua, o diagrama dos cinco átomos que compõem o DNA humano e várias fórmulas químicas.

O disco foi projetado para ser tocado em 16 2/3 rotações por minuto. Uma parte contém uma amostra musical de culturas e eras diversas: um canto noturno dos índios navajos, a trinca Bach–Beethoven–Mozart, três peças do folclore peruano, blues, Chuck Berry cantando Johnny B. Goode, música de gamelão de Java. Do Brasil, nada, nem João Gilberto cantando Garota de Ipanema.

Dado que até os bípedes que povoam a Terra em 2011 já esqueceram o que é um toca-discos, e não saberiam o que fazer com uma agulha com ponta de safira acoplada a um esquisitíssimo “braço” mecânico, Sagan e sua turma não se esqueceram de mandar junto um manual de instruções. Ele está gravado em forma de diagrama na capa de alumínio que protege cada disco. Essa capa, por sua vez, foi concebida para aguentar a previsível sucessão de choques com micrometeoritos. Ela também contém, em linguagem de símbolos, a explicação da origem da nave.

Os Golden Records foram projetados para permanecer intactos por, literalmente, dezenas de milênios. “Estes discos só serão decodificados se existirem civilizações avançadas no espaço interestelar. Mas o mero lançamento desta ‘garrafa’ no oceano cósmico sinaliza nossa esperança na vida desse planeta”, disse à época Carl Sagan.

Não deixa de ser divertido imaginar qual seria o conteúdo de uma cápsula do tempo semelhante, caso a empreitada fosse repetida neste ano de 2011. A começar pela escolha de sons naturais, como tsunamis, e de sons criados pelo homem, caso do aviso de que uma usina nuclear está derretendo.

Dorrit Harazim
Dorrit Harazim

Jornalista, trabalhou nos principais veículos da imprensa brasileira e participou da criação da revista Veja e da piauí, na qual foi editora. Ganhou o Prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia. É colunista de O Globo e publicou O instante certo

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