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Sofística e polícia política

Olavo de Carvalho, Bolsonaro e a ideologia

Ruy Fausto
A prosa de Olavo de Carvalho é uma colagem de sofismas. Ele pertence à categoria dos ilusionistas; praticou tanto essa arte que, mesmo quando parece querer dizer a verdade, não consegue
A prosa de Olavo de Carvalho é uma colagem de sofismas. Ele pertence à categoria dos ilusionistas; praticou tanto essa arte que, mesmo quando parece querer dizer a verdade, não consegue ILUSTRAÇÃO_NEGREIROS_2018

Olavo de Carvalho brindou a mim e a alguns amigos com dois vídeos de raivosa elocução, totalizando mais ou menos uma hora, em resposta a um artigo que publiquei no final do ano passado na Folha de S.Paulo. Não responderia a essas emissões, caso elas dissessem respeito apenas a uma discussão entre mim e Olavo de Carvalho, isto é, se o problema fosse apenas comigo. Assinalo que o título original de meu artigo saiu reduzido. Era: “A gravidade da hora: desconstruindo o discurso de Olavo de Carvalho.” Provavelmente com o objetivo de desdramatizar, a redação do jornal colocou somente a frase final. Por aí já se vê que o meu problema não é Olavo, o qual me interessa sofrivelmente; é a gravidade da hora. Para mim, Olavo importa apenas enquanto peça que compõe o quadro sinistro da realidade brasileira atual. Mas ele é peça importante, sem dúvida e infelizmente.

Ouvi toda a falação, não direi com interesse, mas com curiosidade. Passarei mais ou menos rápido por muitas questões, para me ater ao que é dito no final. Há de tudo na sua fala: a defesa e o ataque. Ele seria um bravo cidadão que não deseja mal a ninguém, salvo a alguns, eu inclusive, pois, na versão dele, pelo menos objetivamente, como se dizia outrora, eu estou a serviço da perigosa conspiração comunista.

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Ruy Fausto

Ruy Fausto, professor emérito da USP, é doutor em filosofia pela Universidade Paris I

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