questões geopolíticas

Terra desolada

O que o Brasil deixou para trás no Haiti

Fabio Victor
Uma analogia formulada pelo general Augusto Heleno sintetiza o sentimento geral dos militares sobre a atuação dos brasileiros no Haiti, entre 2004 e 2017: “Eu era um médico sem doente. A missão de paz foi o doente da minha carreira”​
Uma analogia formulada pelo general Augusto Heleno sintetiza o sentimento geral dos militares sobre a atuação dos brasileiros no Haiti, entre 2004 e 2017: “Eu era um médico sem doente. A missão de paz foi o doente da minha carreira”​

O caminho que leva do Aeroporto Internacional Toussaint Louverture ao Centro da capital do Haiti, Porto Príncipe, margeia o gigantesco complexo de favelas de Cité Soleil, onde vivem cerca de 300 mil pessoas. A visão lembra a que se tem das periferias brasileiras nas entradas de algumas capitais: o amontoado de moradias precárias, esgoto correndo a céu aberto, lixo acumulado nas ruas, vendedores ambulantes perto da estrada.

Quem está ao volante é Mike Pinard, o motorista que será meu guia e às vezes intérprete durante nove dias. Com 31 anos, ele é formado em psicologia, mas não exerce a profissão. Dirige uma entidade para jovens carentes e faz alguns bicos, por causa da crise econômica. Sua mãe e sua irmã migraram para Boston há algum tempo e têm insistido para que ele deixe o país, como fizeram milhões de seus conterrâneos na última década – só nos Estados Unidos vivem cerca de 1,1 milhão de haitianos e haitiano-americanos. Apenas no ano passado, as remessas de haitianos no exterior para o Haiti somaram 2,98 bilhões de dólares, o equivalente a 30% do PIB nacional. Pinard, porém, quer ficar no país e contribuir para sua transformação. Candidatou-se em 2015 a prefeito de sua cidade, Carrefour, mas perdeu. Agora, pretende concorrer a deputado federal. 

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Fabio Victor

Repórter da piauí. Na Folha de S.Paulo, onde trabalhou por vinte anos, foi repórter especial e correspondente em Londres

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