diário

Uma certa civilidade

A vitória de Lula e os primeiros dias da transição do poder

Fernando Henrique Cardoso
Telefonei para o Lula, para mandar um abraço, rapidamente. De resto foi só verificar o endeusamento do Lula. Curioso, não sei se fizeram uma entronização tão sacra assim quando fui eleito, menos ainda quando fui reeleito. Da eleição à posse corre um longo tempo, vamos ver o que acontece até lá
Telefonei para o Lula, para mandar um abraço, rapidamente. De resto foi só verificar o endeusamento do Lula. Curioso, não sei se fizeram uma entronização tão sacra assim quando fui eleito, menos ainda quando fui reeleito. Da eleição à posse corre um longo tempo, vamos ver o que acontece até lá CREDITO: JAMIL BITTAR_REUTERS

No quarto volume de seus Diários da Presidência, a ser lançado pela Companhia das Letras neste mês, Fernando Henrique Cardoso registra os dois últimos anos em que esteve à frente do poder, descrevendo o seu cotidiano de 2 de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2002. O trecho a seguir, que a piauí publica em primeira mão, abrange o período final do mandato. Na antevéspera do segundo turno da eleição presidencial, FHC assistiu pela tevê, com amigos, ao debate realizado pela Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e José Serra, do PSDB. Já sabia, então, que o candidato de seu partido sairia derrotado dali a dois dias. Apesar de se referir a Lula, mais de uma vez, como um demagogo, FHC não se mostra contrariado com o resultado das urnas. Pelo contrário, não esconde a satisfação de participar de um momento histórico. A certa altura, ele resume: “Essa transição e talvez esse sentimento de que realmente fizemos bastante coisa, sobretudo para manter um clima de civilidade, está tendo uma repercussão muito grande mundo afora. ‘Mundo afora’ é modo de dizer; pelas elites dirigentes e por certos setores do mundo.”

 

 

Hoje é sábado, 26 de outubro, daqui a uma hora partiremos para São Paulo. Ontem foi um dia absolutamente tranquilo, nem parecia antevéspera da eleição.[1] Conversei com Milton Seligman,[2] pessoa encarregada da campanha do [José] Serra, para saber das questões finais e daqui a pouco iremos a São Paulo.

Na tarde de ontem, recebi algumas pessoas no Palácio do Planalto para despacho, sobretudo da área de comunicações que me preocupa muito.[3] Há uma tremenda confusão nela e não podemos assistir à repetição, na área de comunicações, do que houve com a energia elétrica.[4] Na energia elétrica, em parte foi falta de regulamentação do governo, em parte foi resultado de uma seca imensa, e como não havia investimento nos governos anteriores houve a crise. Agora, não, há investimento, mas os governos anteriores paralisaram o investimento, situação que permaneceu até que fosse aprovada em 1995 a Lei de Concessões.[5] Essa lei foi uma proposta minha quando senador. Eu retomei a marcha, o setor está em marcha.

Eu interrompi porque telefonei para a Marisa Serrano[6] para desejar sorte a ela. Eu dizia que no caso da telefonia não houve falta de investimento; houve superinvestimento, o problema é da competição entre eles e da dificuldade no nível internacional. Muitas das empresas são como a mexicana que possui a Embratel,[7] e isso pode dar uma confusão grande. Falei muito com o [Juarez] Quadros[8] e também com o [Luiz Guilherme] Schymura.[9] Dizem que ele é um consultor, não um executor, que não é um líder, o que está dificultando o processo. Eu não sei como resolver essa questão. Chamei o Pedro Parente[10] junto com o Quadros e disse: “Não dá para continuar assim, temos que tomar uma posição, ou manter ou tirar o Schymura de uma vez, porque é preciso fazer a telefonia avançar até o fim do meu mandato.”

Ontem, sexta-feira, jantaram aqui o Paulo Egydio [Martins],[11] a Lila [Brasília Byington Martins],[12] o Joseph Safra[13] e a Vicky [Safra],[14] o Marco Maciel[15] e a Anna Maria [Maciel],[16] e também o Pedro Moreira Salles[17] e a Marisa [Moreira Salles].[18] Foi um jantar agradável, de velhos amigos. Eu queria prestar uma homenagem a essa gente, que tem sido, discretamente, apoiadores do governo e de mim há muitos e muitos anos. O Pedro mais recentemente, mas os outros são velhos amigos, eu devo ao Paulo Egydio ter podido fazer o Cebrap[19] lá atrás, e o Zé Safra me apoiou desde aquele tempo e tem sido firme, pertence a um setor conservador liberal. Foi muito agradável.

Ao final do jantar, fomos assistir ao debate, na Globo, do Lula com o Serra. Eu disse brincando: “O melhor para presidente foi o William Bonner, porque, do modo como a televisão organiza o debate, faz-se uma cópia dos Estados Unidos, não é propriamente um debate; transformam os candidatos em atores e alguns são canastrões, outros não.” Ontem nenhum dos dois foi canastrão. Foram bons atores. O Serra melhor até, mais objetivo, mais contundente. O Lula com uma demagogia desenfreada e sempre aquela coisa: eu sou bonzinho, eu vou resolver tudo, eu conheço a pobreza, eu viajei pelo Brasil. Como se viajar pelo Brasil desse as categorias para entender o país. Nesse caso os tropeiros antigos seriam os melhores conhecedores do Brasil. Mas é impressionante como essa ingenuidade populista pega. Os jogos estão jogados, já não há nada de novo que possa alterar o resultado, que vai ser desfavorável a nós. Uns dirão depois que foi por culpa do governo, o próprio pessoal da campanha talvez diga isso, que o governo estava mal; outros dirão que é porque o Serra não defendeu o governo. Eu direi que é chegada a hora de arejar um tanto o país.

De tudo o que eu li, e li bastante, muita gente segue com análises equilibradas, alguns até me surpreenderam, como o próprio Márcio Moreira Alves,[20] que não gosta de mim. Ele não gosta, sobretudo, da área econômica, mas reconhece meus méritos democráticos. O Zuenir Ventura,[21] com mais propriedade, que nunca foi próximo e nunca esteve ligado aos meus amigos, fez um artigo bonito. E o [Arnaldo] Jabor[22] sempre. A Lourdes Sola[23] escreveu um bom texto, a Maria Hermínia [Tavares de Almeida][24] também, são muitos os artigos de balanço do governo, muitos mesmo. Sem falar no Estadão, cujos editoriais têm sido realmente peça fundamental para entender o que está acontecendo. Pois bem, no meio disso tudo o que me impressionou mais foi o artigo de um rapaz que eu não conheço, o Romano, que é professor, acho, da Unicamp, o Roberto Romano. Não, não é o Roberto Romano, é outro. O Roberto Romano é o atual marido da Maria Sylvia de Carvalho Franco.[25] Um rapaz que escreveu um artigo interessante, em que ele diz que o PSDB é um partido de valores republicanos e o PT de reinvindicação social. É verdade, e isso quer dizer que o PSDB é um partido que vê o todo, vê o geral, políticas universais e que o PT faz a reinvindicação social. Agora haverá muitos que vão pensar: seria maravilhosa a fusão dos dois ou o PSDB apoiar o PT. Não é bem assim, o papel da reinvindicação é mais facilmente exercido na oposição, e o dos valores universais, no governo. Agora os sinais estão trocados, mas nem por isso devemos simplesmente dissolver o PSDB na reinvindicação social. Nesse caso não haverá quem cuide dos valores do Estado, dos valores da universalização. O articulista de que eu gostei é um professor de ética da USP, o [José Arthur] Giannotti[26] acabou de me dizer. Fui checar com ele, se chama Renato Janine [Ribeiro],[27] parece que é isso.

Em tempo: estou folheando o livro do Ted Goertzel, que vai lançá-lo agora.[28] De repente abro na página 208, vejo umas declarações do Lula quando ele perdeu da segunda vez para mim: “Fernando Henrique Cardoso é o carrasco da economia brasileira, responsável por um dos maiores desastres econômicos da história do Brasil. Eu acho quase incompreensível que as vítimas tenham votado em seu próprio carrasco.” Olha a reação de quem perdeu uma eleição em 1998! Vamos comparar com a reação que eu terei agora se ele ganhar a eleição. Ele disse as mesmas coisas que diz, aliás, desde o Real; repetiu em 1998, repete agora. A visão que o Lula expressa não é só a dele; é a dele, mas fala como um ventríloquo: toda essa modernização, toda essa globalização, toda a transformação na sociedade brasileira, tudo isso é, para esta gente do PT, uma tragédia. Quer dizer, bons mesmos eram os tempos da burguesia nacional, da economia fechada, da inflação, da exploração dos trabalhadores, da desordem do Estado. É patético.

 

Hoje é segunda-feira, 28 de outubro, são nove e meia da noite. Estou de volta a Brasília desde ontem.

Sábado à tarde recebi o Jovelino Mineiro,[29] para conversar sobre nossa ida à Europa. Vamos ficar no apartamento dele, eles não vão estar lá e vão nos emprestar o apartamento que foi do [Roberto de Abreu] Sodré,[30] que é pequeno, mas localizado no que foi no passado uma boa localização. Prefiro, sempre preferi, o Quartier Latin.

Conversamos um pouquinho e fomos jantar com o Serra na casa do Andrea Matarazzo:[31] eu, Ruth e Bia – Beatriz, minha filha. O Serra chegou um pouco depois da hora, atrasado. O Andrea me pediu que eu fosse sem a imprensa, então despistei a imprensa. Eu pensava o contrário, que era bom que soubessem que eu estava jantando com o Serra, um ato de solidariedade e de força política. Mas o Serra preferiu assim. Mais tarde chegou o Geraldo Alckmin com a filha Sofia [Alckmin], simpático, aliás o pessoal todo foi simpático. Estavam a Verônica [Serra], filha do Serra, e o marido dela, que se chama Alex [Alexandre Bourgeois]. Também o Luciano [Serra], filho do Serra, o Andrea, a Sonia [Matarazzo] e a filha dos dois,[32] e a Regina Faria, viúva do Vilmar Faria.[33]

Foi uma noite agradável, o Serra estava bem-disposto, dentro do possível. Nós todos sabíamos o que ia acontecer no dia seguinte.[34] Conversei de passagem com o Serra sobre o futuro. Primeiro o dele. Ele quis saber das finanças de campanha, como enfrentar o passivo. “Agora”, eu lhe disse, “vá descansar um pouco.”

“Ah, mas eu não sei o que vou fazer com a equipe, com a imprensa.”

Insisti: “Vai para a casa do [Albert] Hirschman[35] nos Estados Unidos, em Princeton. Passa um tempo lá, volta e vai para o Senado.”

É esta a preocupação dele: que tentem dizer que o PSDB acabou e que temos de dar governabilidade ao PT.

O mundo todo telefonou para me felicitar, falando da mesma coisa, da democracia. Hoje o [António] Guterres.[36] O [Ricardo] Lagos[37] foi mais realista, não falou disso. O Felipe González[38] telefonou para dizer que o clima de democracia no Brasil foi maravilhoso. E também para dizer que hoje faz vinte anos que ele foi eleito pela primeira vez presidente [do governo] da Espanha, vejam só!

Mas, voltando ao jantar de sábado, sobre as preocupações do Serra com o financiamento da campanha, que deve ter sido um desastre, fiquei de ver como anda e disse que ele deveria dar um tempo. Mas ele estava firme, gostei de ver.

Dia seguinte, domingo, 27 de outubro, dia das eleições. Ainda de manhã recebi um pessoal para falar do instituto[39] que estamos criando em São Paulo para os meus trabalhos futuros. Vieram dois advogados, o Aloysio [Miranda], meu sobrinho, casado com a Andreia [Cardoso], filha do meu irmão Antônio Geraldo [Cardoso], e o filhinho deles.[40] E também o [José de] Oliveira Costa. Estávamos eu, a Danielle [Ardaillon][41] e a Ruth. Ficamos discutindo os estatutos, coisas desse tipo, depois fomos votar. Aliás, foi muito simpático. Minha rua estava cheia de faixas agradáveis, elogiando o que fiz pela democracia e pelo Brasil. Os vizinhos também, no sábado já tinha sido assim, quando fomos visitar as obras do apartamento para onde vamos nos mudar.[42] Naquele bairro está tudo sempre bem…

O fato é que São Paulo não estava contra, tanto que Geraldo [Alckmin] teve 58% dos votos, uma coisa positiva. E o Serra teve 45%, o que não é pouco para o estado de São Paulo. Fui para a votação, lá também manifestações, tudo agradável. A presidente do meu diretório do PSDB[43] é mulher do Clóvis Rossi,[44] sempre muito solidária. Clóvis acabou de publicar um artigo hoje bastante azedo contra mim, contra o governo e a favor do Serra. Enfim, o Clóvis é o Clóvis, nasceu de mau humor. Fui lá,[45] votamos, o [Romeu] Tuma,[46] como sempre, me esperando. Dei declarações à imprensa, elogiando as eleições, enfim, o tradicional. Saiu na imprensa toda eu falando sobre o resultado democrático etc. Peguei o avião, voltei para Brasília.

Aqui chegando jantei com [Pedro] Malan[47] e com o Celso Lafer[48] e ficamos acompanhando os resultados eleitorais.[49] Pouco a pouco se viu que, com sacrifício, houve a vitória do [Joaquim] Roriz em Brasília,[50] do [Simão] Jatene no Pará,[51] a derrota do [Esperidião] Amin[52] em Santa Catarina, o que lastimo, Amin foi bom governador. E o Luís Henrique acabou apoiando o PT, o que me pareceu um pouco exagerado, embora ele tenha sido amigo meu a vida toda e o Amin seja um amigo mais recente. Perdemos no Mato Grosso do Sul[53] para tristeza minha, porque a Marisa Serrano também foi combativa, é uma mulher, é boa. E ganhamos apertado na Paraíba,[54] não sei que vitória será essa. No total o PSDB fez sete estados, inclusive São Paulo, Minas, Goiás, Pará, estados de peso.[55] O PMDB fez Rio Grande do Sul e Pernambuco, que são estados de peso nas mãos de gente ligada a nós.[56] Fez também o Paraná, mas é o [Roberto] Requião; eu preferia que perdesse, para ele sair da vida pública, porque é daninho.

E o PT teve um desempenho fraco.[57] Reelegeu o Zeca do PT, que me telefonou hoje, como sempre muito gentil comigo. Hoje ainda me telefonaram a Benedita [da Silva][58] e o Jorge Viana, que sempre foi ligado a mim. Falei com o Tião Viana,[59] a Marina Silva[60] tinha tentado falar comigo também. Então, quem o PT reelegeu é tudo gente muito próxima, a mim pelo menos, e gente boa. Agora, mais nada, só o Piauí. É curioso o resultado dessa eleição: não é petismo, é lulismo. Não é uma onda vermelha, é vontade de mudar; é esperança, mais que vontade de mudar.[61]

Acabei de ver o Lula no Jornal Nacional, ouvi o Lula várias vezes. Hoje ele fez a primeira declaração oficial. Eu diria que foi uma declaração de continuidade sem continuísmo do governo. A única novidade foi o anúncio de uma Secretaria de Emergência contra a Fome.[62] Nós já temos a Secretaria de Assistência Social, muitos programas, Projeto Alvorada,[63] luta permanente contra a fome. Pura demagogia. Não se precisa de secretaria contra a fome, é para dar a impressão ao mundo de que temos vários milhões de pessoas morrendo de fome, o que não corresponde à verdade. Há, é certo, desnutrição, mas o problema não é de comida, é muito mais complicado, é emprego, é saúde, é sanitário, enfim, são políticas universais ao lado das focalizadas, que já estão em marcha. Demagogia pura. Eu não disse isso, naturalmente. Nos comentários de hoje agradeci, pois ele se referiu a mim como tendo tido um papel equilibrado, dentro da Constituição.

Imagine se a Constituição me proibiria de fazer uma ação mais politizada… Não, foi dentro da minha concepção democrática no trato das pessoas e das instituições e de respeito às decisões do povo. Isso é detalhe, o Lula não disse nada de novo, reafirmou tudo, bateu, mas beijando a cruz direitinho. Falou até de êxitos na mudança da balança comercial,[64] da expansão da agricultura…[65] Mais parecia eu falando. Só que eu falaria com mais ênfase e talvez com mais graça, sem um documento nas mãos para ler. Não disse nada, nada mesmo, fora essa questão da fome. Nada sobre política externa, sobre o que estamos fazendo, Mercosul, não sei o quê, de negociar defendendo a soberania.

Agora à noite, no Jornal Nacional, perguntaram ao Lula como ele via a Secretaria de Luta contra a Fome, e ficou aquela coisa meio piegas… Eu sei que é verdadeiro, ele disse que passou fome, mas o jeito de ele falar é piegas, demagógico. Eu jamais fico dizendo que me puseram um capuz na cabeça e me ameaçaram de tortura quando eu estava na Oban,[66] porque acho que não cabe a um presidente da República utilizar esse tipo de argumentação. O Lula está usando uma argumentação piegas. Enfim, não é má vontade, não. Eu acho, realmente, que, se é assim para começar, imagine como não vai terminar. Espero que eu esteja equivocado.

Fora isso, recebi uma porção de gente, nada que mereça registro especial, salvo uma conversa que tive com o brigadeiro [Carlos de Almeida] Baptista, comandante da Aeronáutica. Eu o chamei para discutirmos a questão dos aviões FX.[67] Ele me disse: “Presidente, é muito dinheiro, custariam 1 bilhão, o senhor se sinta à vontade, às vezes fico com pena de pedir um gasto tão grande para nós com o Brasil nessas circunstâncias.” Notei que ele é mais favorável a alugar os aviões israelenses,[68] que custam pouco, comparados com um gasto tão grande com esses aviões supersônicos, os Mirages, ou mesmo com a compra do sueco Gripen, que é o preferido da Aeronáutica. Achei interessante, talvez valesse a pena não comprar esses aviões agora, mas não há condições para isso. O Baptista sempre me deu a impressão de ser um homem sensato. Eu disse a ele que não teria condições de comprar o avião da Dassault nem de atender à pressão nacional a favor da Embraer. Ele disse: “A Embraer não vai fabricar avião nenhum, não dá um emprego aqui, eu já disse a todo mundo.” Vou falar amanhã com o Lula sobre isso, porque o Lula vem me ver.

Telefonei para o Lula ontem à noite, para mandar um abraço, rapidamente. De resto foi só verificar o endeusamento do Lula. Curioso, não sei se fizeram uma entronização tão sacra assim quando fui eleito, menos ainda quando fui reeleito. Está parecendo a eleição do [Vicente] Fox para o governo do México, a que eu assisti, e sua sacralização no dia da posse. Aqui é no dia da eleição. Da eleição à posse corre um longo tempo, vamos ver o que acontece até lá.

Noto o Malan muito preocupado com o período de transição. O Pedro Parente deu declarações que poderiam ser interpretadas como se, no caso do Banco Central, sei lá em que caso, fossem haver consultas. Eu não entendi bem, mas o Malan está preocupado. Pedi que o Pedro Parente convidasse o Malan para participar amanhã da conversa que vamos ter com o Lula sobre a transição […]

 

Hoje é sexta-feira, dia 1o de novembro. A semana foi agitadíssima.

Na terça-feira passada, dia 29, me encontrei com o Lula, e o dia foi em grande parte dedicado a isso. Fui ao Planalto de manhã e, às onze horas, chegou o Lula. Só eu e ele conversamos. Ficamos quase uma hora e conversamos sobre o quê? Sobre o óbvio. Um pouco sobre o governo, sobre como é atuar como presidente, ele falou do Itamaraty, eu também, ele me disse que o [José] Viegas[69] é o amigo dele lá. Fez uma consulta específica sobre o [Rubens] Ricupero,[70] eu disse que era um homem respeitado, com posições. Ele perguntou mais a fundo e eu falei: “Você quer saber o quê, Lula?” Ele queria saber se ele era, digamos assim, eu não diria um santarrão, mas fingido, algo assim. “Eu não sei”, disse, “não privo com o Ricupero, mas ele é pessoa competente.” Não fiz carga contra o Ricupero. Não senti que ele falasse sobre nenhum outro embaixador para ser chanceler, nem eu perguntei.

Falei que eu tinha que colocar o Sérgio Amaral[71] e o [Ronaldo] Sardenberg,[72] que eu estava pensando em Nova York para o Sérgio Amaral e em Paris para o Sardenberg. Lula perguntou se ele precisava decidir na hora, e eu disse que não: “Você pode ver com calma, mas quero colocá-los em boas posições.” O resto não tem importância. Itamar [Franco][73] eu achava que queria Portugal, depois eu soube que é Itália. De qualquer forma, eu disse ao Lula que não gostaria de tirar o José Gregori[74] de lá, então que ele nomeasse mais tarde quem ele quisesse, assim o Zé ganha um tempo em Lisboa. O Andrea quer voltar logo, desde que eu soube, pelo Aécio [Neves],[75] que o que o Itamar quer mesmo é Roma. Assim é melhor, mais fácil, o Lula pode nomeá-lo [o Itamar] imediatamente.

Falamos sobre as Forças Armadas. Eu disse que achava que ele devia escolher um dos três generais mais antigos, porque o meio militar é muito cheio de hierarquias. Há um em São Paulo, chama-se [Francisco Roberto de] Albuquerque, eu disse que me parecia ser um homem bem-conceituado – não sei se é Albuquerque mesmo o nome. E na Força Aérea há o brigadeiro [Luiz Carlos] Bueno, embora haja outro brigadeiro mais próximo do PT. Conversamos vagamente, sem nenhum compromisso. Eu disse a ele que deveria falar com o general Gleuber [Vieira][76] sobre o Exército, é um homem de minha confiança, um homem sério, e já o avisei disso.

O Lula se disse favorável à questão do foro privilegiado [para ex-presidentes],[77] como se fosse para ele; disse com amizade, mas deu a impressão de que eu estava muito preocupado com o assunto. Eu disse: “Olha, Lula, eu tenho 250 processos em andamento, mas não estou preocupado, porque são processos sem consistência. Agora, não cabe a ex-presidentes, como a ex-ministros, serem perseguidos, serem processados por toda parte, não cabe. Não tem sentido, precisamos buscar uma solução mais adequada.” O Lula está de acordo também. Estava muito bem-disposto e conversamos sobre viagens ao exterior. Eu disse: “Já fiz um convite público a você, mas acho que você tem que pensar bem se vale a pena aceitar; não vejo viagem alguma que signifique algo importante para você neste momento. A não ser que vá à China discutir alguma coisa concreta.” A China me convidou para eu ir como pessoa, depois a China vai dar declarações a favor do Brasil, mas não tenho condições de fazer essa viagem agora.

Depois tivemos em conjunto a reunião com o [Antonio] Palocci,[78] o Zé Dirceu,[79] o [Luís] Gushiken[80] e o senador José Alencar.[81] E do nosso lado o Marco Maciel, o Pedro Parente, o Pedro Malan, não sei se tinha mais alguém… sim, o [Euclides] Scalco.[82] Foi uma reunião muito boa também, eles ficaram impressionados com o trabalho de transição que o Pedro Parente organizou, trabalho muito pesado. Lula expressou admiração e agradecimento a ele na entrevista que deu aos jornais em seguida. Confesso que gostei do encontro. Pelo país, como um sinal de, digamos, uma transição civilizada.

Na quarta-feira, comecei o dia dando uma entrevista para a CBN que foi razoável. Depois fui a um ato de registro de imóveis rurais,[83] na continuidade do trabalho do Raul [Jungmann],[84] que agora o José Abrão[85] quer capitalizar para o governo. Os responsáveis pela Saúde vieram reclamar, com razão, da questão do orçamento. Ainda tive uma reunião com os interlocutores do governo[86] que farão frente na transição com o grupo do Lula. Fiz discurso, mostrei que quero transparência e que as decisões fundamentais ficam conosco, mas que espero que não haja contradições maiores.

Almocei no Alvorada com a Ruth, o Michael [Zeitlin][87] e a Lola [Maria Helena Berlinck][88] e em seguida voltei ao Palácio e me reuni, no expediente normal, com o Sardenberg e o Guilherme Dias,[89] para tomar conhecimento do avanço que houve na área de ciência e tecnologia no Brasil, sobre a qual o IBGE fez uma pesquisa, foi muito interessante.

À tarde, nesse mesmo dia, falei com o Albano Franco,[90] que veio com a Leonor [Franco][91] com o propósito óbvio de evitar que ela saia da presidência do Sesi, onde está há dez anos. Depois fui me encontrar com o [Luis] Nassif[92] e com o Marco Antônio Coelho[93] e dei uma longuíssima entrevista à TV Cultura de São Paulo sobre o governo. O Nassif é muito ágil e tem uma visão muito clara contra a supervalorização do câmbio na primeira fase do governo. Foi muito interessante, achei bom. Demos um jantar em homenagem ao arquiduque de Luxemburgo,[94] com a arquiduquesa de Luxemburgo,[95] ela é irmã do rei da Bélgica.[96] Eu já conhecia o arquiduque, e vieram vários amigos, como o [Luiz Felipe] Lampreia.[97] A conversa rolou um pouco sobre a Embratel. Havia várias pessoas presentes, um jantar de tipo diplomático social. Isso foi na quarta-feira.

Na quinta-feira de manhã, ontem, fiquei fazendo meus tratamentos, por causa da costela.[98] Ruth e Carmo [Maria do Carmo Sodré][99] foram a São Paulo, porque Ruth foi tratar o canal de um dente. Fui à reunião do Conselho de Defesa [Nacional] no Palácio do Planalto, para decidir sobre a modernização dos aviões de patrulha da Marinha e a compra de aviões de transporte. Nos dois casos ganhou um grupo da Espanha que hoje está ligado a uma empresa franco-alemã.[100] Exposição longa, detalhada e bem-feita da Aeronáutica, e tomamos a decisão. Antes eu tinha falado com o João Otávio de Noronha, que acabei de nomear ministro do Superior Tribunal de Justiça. Como ele estava deixando o Banco do Brasil, onde era chefe do Jurídico, eu o chamei para perguntar sobre o famoso caso do Eduardo Jorge [Caldas Pereira] com a BB Seguradora, ou Brasil Saúde,[101] se era certo que o Eduardo tinha direito. Ele disse que achava que ele tinha direito e que havia era medo de tomar a decisão. Fiquei muito incomodado e mandei chamar o presidente do Banco do Brasil,[102] com quem vou conversar na segunda-feira para saber se é isso mesmo.

Depois recebi o Gilmar Mendes, que é ministro do Supremo, para uma conversa sobre os problemas deles, e fiquei aqui no Palácio da Alvorada, onde despachei sem parar até o limite de tempo, porque eu tinha que dar uma entrevista ao vivo no Jornal Nacional. Quase meia hora de entrevista, acho que a repercussão foi boa, voltamos aos velhos temas, mas consegui expor de maneira mais direta e clara a minha visão sobre a última campanha. Me apertaram muito, sobretudo William Bonner. Ele queria saber por que o Serra não se apresentou mais como defensor do governo e eu escapei da resposta. Depois jantei com ele, William Bonner, com Ali Kamel,[103] com a Ana Tavares[104] e também com o Toninho Drummond [Antonio Carlos Drummond].[105] Aí me apertaram muito, eles acham que o Serra jogou fora uma chance de vitória. Acho que vitória não haveria, mas uma chance de defesa mais entusiasmada do governo, isso sim. Pelas razões que já expliquei aqui mais de uma vez, mas que mostra o clima em que as coisas estão.

Hoje, sexta-feira, passei o dia cuidando da minha coluna e fazendo os tratamentos da costela, do ilíaco, exercícios físicos. E arrumando papéis, tarefa na qual ainda estou, e dela não vou sair neste fim de semana em que a Ruth está em São Paulo. Falei com o Giannotti, ele foi operado do coração, mas está bem.

Um adendo. Celso Lafer tem mantido contato comigo, está em Quito[106] negociando a questão da Alca,[107] e pelo jeito as coisas vão razoavelmente bem. Estamos levando essa negociação com muito capricho e sem fechar portas, porque o novo governo poderá fazer o que bem entender, mas se entender bem fará o melhor, ou seja, procurará uma Alca que nos dê vantagens, com entrada no mercado americano e que não escancare nossas portas. Não é fácil, mas é a nossa linha. Celso tem sido muito competente em levar essa negociação. Eu gostaria também que terminassem as negociações entre a Comunidade Andina e o Mercosul, que o Sérgio Amaral está levando, porque assim eu deixaria o governo com a área de livre-comércio completada na zona da América do Sul.

Esqueci-me de registrar que na terça-feira, 29 de outubro, dia em que estive com o Lula de manhã, à tarde tive conversas difíceis. Uma com o deputado Márcio Fortes, do PSDB do Rio, que foi o coordenador da parte financeira da campanha do Serra. Me mostrou que a situação é desesperadora, eles conseguiram deixar uma dívida grande. Depois o [Francisco] Gros[108] veio conversar sobre a questão dos salários, dos custos da Petrobras. Portanto, aumento de preço. O Serra, nos dias de campanha, me telefonava aflito, para não haver aumento de petróleo. Eu não posso deixar de concordar com a Petrobras de que alguma coisa tem que ser feita. Nunca determinei que não houvesse aumento, apenas ponderei, quando o dólar estava muito alto, que não tinha sentido passar o custo para os preços por causa da especulação. Mas agora o dólar está caindo.[109] Caindo o dólar, é natural que se possa aproveitar o momento para fazer uma correção; vou levar pau de todo lado, mas é o correto, o que se tem que fazer.

Depois falei com o Bob [João Roberto Vieira da Costa], que vai voltar para a Secom.[110] Tive uma longa conversa com ele, com Eleazar de Carvalho [Filho][111] e com Sérgio Amaral, repassando empresa por empresa a situação das que estão com muita aflição por causa do endividamento em dólar, e por má gestão também. O BNDES está fazendo o que pode, mas não pode substituir uma ação correta por parte dos dirigentes de cada empresa.

 

Hoje é dia 4 de novembro, segunda-feira. Ontem passei o dia arrumando papéis, minhas anotações, botando em ordem as gravações. Não ouvindo, mas pondo ordem na enorme quantidade de fitas que tenho. Enfim, trabalhando bastante na preparação da mudança, daqui a um mês e meio. Isso me deixou um pouco nostálgico, fiquei olhando o parque lá fora. Mas, ao mesmo tempo contente, porque, francamente, oito anos é muito tempo para governar um país.

Nesta segunda-feira tudo foi bem, a Bolsa continua bem,[112] o dólar caindo para 3,52 reais. Enfim, Lula, paz e amor. Os mercados acabaram engolindo o Lula e o Lula acabou engolindo os mercados, a verdade é que houve certa pacificação. Dei uma longa entrevista ao Roberto Pompeu de Toledo, ele vai publicar na Veja,[113] a entrevista fica disponível. Voltamos aos velhos temas e aos novos que expus. Gosto do Roberto Pompeu, ele é competente.

Depois do despacho com o Pedro Parente, recebi o telefonema do Sérgio Amaral, que estava voltando de Quito. Sérgio veio com uma ideia otimista quanto à Alca. Ele acha que ela está começando a funcionar, que já está andando, puxada pela locomotiva americana, disse ele. Resta saber qual é a ordem dos vagões e se algum vai ficar de lado. Ele acha que a negociação com a Alca não é tão difícil para o Brasil porque a questão agrícola vai ser postergada; os americanos querem manter o subsídio da agricultura, mas abrir mão das demais barreiras tarifárias e de uma série de outras questões. Segundo o Sérgio Amaral, isso é negociável. Ele mencionou a preocupação do [Enrique] Iglesias[114] com a situação da América Latina e do mundo.

Iglesias teria dito a ele que seria preciso que pessoas como eu não nos aposentássemos e continuássemos na briga, porque ela será difícil esse tempo todo. É possível, mas não depende só de nós, depende de muitas coisas. Eu já tinha falado muitas vezes com o Iglesias, vou falar de novo para saber com mais especificidade o que ele deseja fazer. Gostei de ver a disposição do Sérgio Amaral muito mais positiva com relação ao que nos espera com essa negociação da Alca, que vai ficar nas mãos do novo governo. Eles vão ter que, mais uma vez, beijar a cruz, porque foram contra a Alca, diziam que era anexação, fizeram plebiscito contra a Alca[115] e agora vão ter que negociar, porque se não negociarem será pior.

Espero a visita do Serra, ele me telefonou há duas horas e meia, está vindo do Rio para cá, eu tenho horário, tenho que voltar ao trabalho, mas o Serra não respeita horários. Estou no Alvorada na hora do almoço. À noite, recebo um grupo de empresários[116] que fez doações para o prédio onde o instituto vai funcionar em São Paulo.

 

Hoje é quarta-feira, 6 de novembro. Ontem, terça-feira, para mim não foi um dia bom, comecei de novo a sentir dor, não mais nas vértebras, mas nas costelas. Na última costela chamada flutuante, perto do ilíaco. É desagradável. O dia transcorreu com muito trabalho de receber parlamentares, todos aflitos, todos desejosos de obter a aprovação das emendas individuais e preocupados com as mesas da Câmara e do Senado, bem como com o que vai acontecer, se farão oposição ou não ao Lula. O PMDB fragmentado está fazendo uma manobra. O que o PMDB deseja mesmo é colocar o Renan [Calheiros][117] na presidência do Senado.

Tive uma longa conversa com Pedro Malan à noite, até quase onze horas. Pedro é um batalhador, não dá para aprovar o que o Aécio quer para Minas Gerais.[118] É quase impossível, porque não há comprovação efetiva dos gastos feitos por Minas, e os gastos foram por conta própria. Isso vai ser um choque, vamos ter que encontrar outra forma. Além do mais, tudo que é governador quer a mesma coisa. E o Malan é de uma resistência, de uma coragem, de uma competência, de uma dedicação extraordinárias. É um grande servidor público.

Está chegando o helicóptero que vai me levar ao Rio de Janeiro, onde, a contragosto, vou receber o título de doutor honoris causa da Universidade Candido Mendes. O Candido insistiu, o Fred [Araújo], meu chefe do Cerimonial, entrou na jogada e acabou criando uma situação que eu preferia postergar para, se fosse o caso, receber o título depois que eu deixar de ser presidente. Acho um tanto ridículo um presidente receber um título honoris causa em seu próprio país. Enfim, essas circunstâncias da vida ninguém vai entender. Vou ser atacado por ter recebido, e o Candido vai registrar nos anais que o presidente foi lá e recebeu o título. O Candido tem feito uma porção de coisas pelas universidades, é um animador cultural. Vamos lá.

 

Hoje é sexta-feira, 8 de novembro, meia-noite. Estou esgotado. Na quarta-feira fui ao Rio de Janeiro, fiz a minha palestra com [Alain] Touraine,[119] com Mário Soares,[120] com a Benedita presente. Discursos, resolvi fazer o meu de improviso, mais sentimental. Fui bastante aplaudido, aquela coisa toda. Depois manifestações de entusiasmo do pessoal e dos professores.

Voltamos. Vim com Márcio Fortes discutindo as questões da campanha do Serra e, antes disso, recebi a Maria Silvia [Bastos Marques][121] para falar sobre a Embratel. No fundo, ela concorda que é preciso alguém com recursos financeiros para resolver a questão da Embratel. Cheguei a Brasília bastante cansado, ainda assim com um programa pesado. Quando cheguei, já estava aqui o Pedro Parente, que precisava despachar comigo, e assim foi. De despacho em despacho fomos até tarde, quando a Ruth voltou de São Paulo. Na quarta-feira, só problemas dessa natureza, nada de mais complexo. O dia, aliás, foi muito mal nos mercados porque estes leram mal uma declaração de que São Paulo não iria pagar 3 bilhões.[122] Mas não se tratava de dívida contratual, não havia nada de equivocado, a não ser na vontade dos especuladores. Aproveitei também para fazer um pouco de fisioterapia, porque eu estava com as costelas chateando.

Ontem, quinta-feira, dia 7, o dia foi também bastante difícil, recebi gente incessantemente. De manhã, o Odelmo Leão[123] e o José Agripino [Maia][124] para falar sobre questões políticas, depois o Marconi Perillo,[125] o Almir Gabriel[126] e o Geraldo Alckmin para eu conversar com eles e com o Serra, que estava presente, sobre o que aconteceu na campanha e ver se eles ajudarão, sendo possível, na questão dos recursos. Depois fomos almoçar na casa do Aécio com parlamentares. Eu tinha insistido com o Serra para que ele não fosse, porque achei que seria melhor ele ficar mais escondido nessa fase; mas a ida dele não foi má. O clima estava bom, o estranho foi o Tasso [Jereissati][127] dizer que precisamos fazer uma autocrítica. Autocrítica no fundo era do governo. Insistiu que nós erramos e que houve um recado claro do eleitorado. As mágoas continuam.

Fui ao Palácio do Planalto para a cerimônia do prêmio a jovens cientistas,[128] com o Jorge Gerdau e o José Roberto Marinho[129] presentes. Em seguida recebi a Ângela Amin, prefeita de Florianópolis,[130] sempre muito simpática, que me trouxe umas ostras e veio fazer alguns pedidos muito corretos.

Ainda recebi o Zeca do PT, governador do Mato Grosso do Sul, que veio pedir ajuda para a área de eletricidade, no que ele tem razão. Depois o João Elísio Ferraz,[131] que veio com o Maurício [Neves],[132] os dois eram do Bame-rindus,[133] para reclamar do BC, que até hoje não resolveu a liquidação do Bamerindus. Ainda tive vários encontros com muita gente que andou por lá. Foi um dia extremamente cansativo. Jantamos no Palácio da Alvorada eu, a Ruth e o Serra, para falar de questões dele. Ele está em uma encruzilhada, não sabe bem como sair dela, tem vontade de voltar a ser presidente do PSDB, está tateando. Vai aos Estados Unidos. Falou com a Sarah [Hirschman], que é mulher do [Albert] Hirschman, vai a Nova York passar uma semana e volta. Não vai dar para descansar, eu ponderei isso a ele. Serra está com muitos problemas para resolver e não sabe como encaminhar o futuro. Em todo o caso, começamos a conversar sobre essa questão. Isso foi ontem, quinta-feira.

Mal sabia eu que a quinta-feira, que tinha me parecido um dia muito pesado, seria superada pela sexta-feira, dia 8 de novembro, que seria ainda pior. Comecei de manhã cedo com um encontro no Planalto com o Carlos Henrique [de Almeida Santos], do SBT. Depois recebi o Pratini [de Morais][134] para discutir uma lei e o Sérgio Andrade[135] para falar das telecomunicações. Mais tarde veio o Juarez Quadros, também para falar de telecomunicações, da regulação da Anatel, que está deficiente, e da necessidade de avançar em algumas decisões na Embratel, e coisas do gênero.

Mais tarde recebi o ministro da Integração [Nacional], o Luciano Barbosa, para ver a quantas andavam as liberações de orçamento etc., depois recebi o Egydio Bianchi, que hoje é presidente do Instituto Sérgio Motta e veio falar um pouco sobre o instituto, e ainda recebi o Roriz, que veio pedir mais liberações de verba e me dizer que está indignado com a infâmia, segundo ele, do Correio Braziliense, que o denunciou como grileiro. Disse que ele tem três fazendas e vai doar uma de sei lá quantos mil hectares, 5 mil, para fazer a reforma agrária e mostrar que ele não é um homem apegado a essas coisas.

Almocei com Alain Touraine, que o Candido Mendes mandou para cá sem me avisar, embora eu tivesse dito ao Candido que na sexta-feira eu estaria disponível. Mas ninguém combinou nada. O Alain foi barrado na porta, depois entrou, almoçamos eu, ele, a Ruth e a Thereza Lobo.[136] Foi simpático, só que meu tempo foi se esgotando.

Logo em seguida recebi o Aécio para resolver a questão de Minas. Ele me telefona incessantemente, Itamar me telefonou duas vezes ontem, quinta-feira, porque quer dinheiro para Minas. Não há como resolver do jeito que a solução estava sendo encaminhada, pelo ressarcimento de obras feitas pelo estado em estradas federais. Não há comprovante líquido e certo dessas obras, isso foi dito ao Aécio pelo Malan, o Aécio ficou fora de si, tanto que voltei a falar hoje com o advogado-geral da União, o Bonifácio [José Bonifácio Borges de Andrada]. O Malan acha que não podemos fazer mesmo; houve suspensão do envio de recursos para Minas Gerais. À noite, quando o Lula estava com a Benedita da Silva, me telefonou do Rio pela mesma razão. Final de governo é governador apertado tentando pressionar o governo federal para resolver questões.

Recebi também o Artur da Távola,[137] e aí houve uma conversa amena, agradável, de um homem maduro e que, quando pede, meu Deus, é quase nada. Muitas vezes sinto dor de consciência de não conseguir atender em quase nada uma pessoa tão correta, tão boa, tão competente quanto o Artur. Vou fazer o que puder para ver se nesse finalzinho dou uma empurrada nas coisas que o Artur precisa, que são simples. Depois fiquei arrumando papéis incessantemente e grudado ao telefone com o Malan sobre a questão de Minas. Enfim, a roda-viva de final de governo.

Jantei com o Lula, que veio ao Alvorada com o Zé Dirceu e com o Palocci. Eu os recebi junto com o [Arnaldo] Madeira,[138] para ter um testemunho. Foi boa a conversa, eles querem mexer em algumas indicações do Itamaraty na questão de embaixadores. O que querem mesmo, acho, é indicar o embaixador em Cuba. Eu disse que tudo bem, mas eles querem o Dayrell [Antonio Augusto Dayrell de Lima], que está na Austrália. Eu queria indicar para a embaixada em Cuba o Frederico [Araújo], nosso chefe do Cerimonial, então é um jogo de xadrez. Tem-se que tirar de um e dar para outro em algum lugar. Se for possível fazer isso não há problema. Ficaram de vir aqui de novo quando eu voltar da Europa.[139] O Lula virá com alguma proposta nessa área. Falamos sobre o Sebrae também, eles têm algumas ideias, ficaram de trazê-las mais concretamente. Falei sobre os aviões. Eu e ele, então, decidimos que não compraríamos os caças, porque fazer isso agora não vai ser bom para o governo dele, e custa muito dinheiro. Conversei com Lula sobre a Embratel, Anatel, as telefônicas todas, a crise do sistema de comunicações, a Globo, o Estadão, enfim, o conjunto das questões que eles têm que compartilhar e ir percebendo. São três pessoas de conversa, o Lula parecia um velho companheiro.

Conversou em privado comigo sobre coisas do passado e do presente, perguntou muito sobre a vida presidencial e está aflito com o cerco de segurança e vigilância sobre ele. Eu disse que é assim mesmo, não tem jeito. Decidimos também como encaminhar algumas questões no Congresso e nada mais.

Esqueci-me de dizer que também conversei hoje com o Scalco, com o Silvano [Gianni][140] e com o [Simão] Cirineu, que é o secretário executivo do Planejamento, sobre que verbas liberar e quais não, sobre a Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia. A rotina administrativa de um presidente vai nessa batida até o fim do governo. Arrumei mala, arrumei papéis e amanhã cedo vamos todos para Portugal. Chegaram minhas netas, Joana e Helena. Luciana [Cardoso] saiu com Isabel[141] há poucos instantes daqui, já é mais de meia-noite, eu estou cansadíssimo e vou ver se consigo dormir […]

 

Hoje é dia 17 de novembro, domingo, estou de volta ao Brasil. O jantar no último dia de nossa viagem a Portugal, dia 12, terça-feira, foi excelente. Na embaixada, com Maria Helena [Gregori][142] e José Gregori, nossos embaixadores, estava o Zé Renato, um cantor muito bom, com um grupo português, Trinadus. Presentes o Jorge Sampaio,[143] o [José Manuel] Durão Barroso,[144] o Mário Soares e todos os portugueses nossos amigos mais a comitiva… Estava lá também o Martins [António Martins da Cruz], ministro das Relações Exteriores de Portugal, um homem muito simpático e novo. Guterres não foi a esse, mas tinha ido aos outros jantares. Clima melhor impossível, mas nada de especial, só confraternização.

Na quarta-feira, dia 13, de manhã cedo fomos à base aérea e tomamos o avião para ir a Oxford. Fui com um grupo menor. Chegamos à base militar (é a segunda vez: que desço nessa base; quando fui a Chequers, à casa do primeiro-ministro, também descemos lá). Almoçamos no hotel com o Celso Amorim[145] e a Ana Maria Amorim, mulher dele, com o Tuma, o Madeira, o Celso Lafer e a Mary [Lafer],[146] e nós, eu, Ruth e as netas. O almoço demorou um tanto e saí direto para uma entrevista para a BBC. Falei uma parte pequena em inglês e uma parte maior em português, respondendo perguntas. Parece que 3 mil perguntas tinham chegado à BBC pela internet. Fiz tudo correndo e de lá saí, também correndo, para irmos à Universidade de Oxford, onde eu tinha que fazer uma palestra na chamada South Writing School, no bloco das Examination Schools. Foi uma coisa muito simpática, já estavam lá o vice chancellor,[147] a diretora do St. Cross College e o Leslie Bethell, que é diretor do Centro de Estudos Brasileiros. Além do representante da comissão formada para gerir o dinheiro que alguém deixou para que todo ano Oxford convidasse um líder político que fosse capaz de ser franco ao fazer uma conferência.[148] Eu a fiz com muita franqueza. O título foi: Por uma Governança Global Democrática: uma Perspectiva Brasileira. Respondi perguntas. Havia mais de quatrocentas pessoas na sala, parece que nunca tinha havido uma audiência tão grande nesse tipo de cerimônia. Falei em inglês, eu nunca me sinto muito à vontade em inglês, mesmo assim falei amplamente e fui aplaudido em pé ao final das respostas que dei a todos eles lá.

À conferência seguiu-se um coquetel. Para mim não há festa pior do que coquetéis, ainda mais na Inglaterra. Na verdade, ia haver uma grande recepção, mas houve uma greve dos bombeiros, então fizeram um encontro para um grupo menor, um coquetel que constou de um copo de vinho. Lá estava quem assistiu à conferência, o Evelyn de Rothschild,[149] que é uma pessoa muito simpática, a Chelsea [Clinton], filha do [Bill] Clinton e da Hillary [Clinton], que no final veio falar comigo toda simpática, ela assistiu à conferência. Eu não tinha visto que ela estava na sala e elogiei o pai dela na conferência. Sempre faço isso porque gosto dele e porque ele teve uma atitude boa para com o Brasil. Depois desse coquetel houve um jantar, tipo inglês, no Christ Church College, mais ou menos formal, para umas trinta pessoas. André Lara Resende[150] estava lá, fez uma pergunta simpática e também o elogiei, gosto muito do André. O jantar foi bastante agradável, passei o tempo todo conversando com Leslie Bethell e com os outros personagens. A coisa transcorreu com naturalidade inglesa.

No dia seguinte, dia 14, houve a cerimônia de doutoramento honoris causa. Ficamos no hotel até a hora da saída e fomos para (em inglês sempre há uns nomes estranhos) um lugar chamado Clarendon Building. Fui recebido à porta pelo Malcolm Cochrane, eu creio. Ele é descendente do almirante lorde Thomas Cochrane e representa a rainha em Oxford quando ela não está presente. E também recebido pelo chancellor.[151] Em seguida fui levado para a sala de cerimônias, onde me encontrei com o lorde [Roy] Jenkins. Lorde Jenkins é um sujeito fantástico, autor de muitos livros, o último que ele escreveu, sobre o Churchill,[152] comecei a ler, é extraordinário.

Lorde Jenkins tem 82 anos e presidiu a cerimônia solene que todo mundo conhece, cheia de regras para cá, regras para lá, e não sei o quê. Jenkins fez um discurso de saudação a mim muito simpático, pedi que me desse uma cópia. Isso tudo foi em um lugar chamado Convocation House. Fiz discurso, me deram o título de doctor of civil law. Em seguida, fomos a um almoço, depois de um coquetel, naturalmente, onde vimos o Elliott [sir John Elliott Junior], velho amigo do Hirschman, que foi meu colega em Princeton. Eu estava alegre porque o Eric Hobsbawm assistiu ao meu doutoramento. Sem que eu soubesse que ele iria lá, fiz uma referência ao seu livro sobre o “breve século XX”.[153]

Depois desse coquetel, passamos para um almoço, onde fiquei ao lado do chancellor lorde Jenkins e do Hobsbawm na Divinity School. A certa altura, chegou a mulher do lorde Evelyn de Rothschild, uma americana chamada Lynn [Forester de Rothschild], de quem eu gosto bastante. Enfim, um ambiente extremamente simpático, com a vidinha oxfordiana muito simpática. Voltamos ao hotel, descansamos um pouco, pegamos as malas e fomos de novo para o Centro de Estudos Brasileiros. O almoço que foi oferecido a mim pelo lorde Jenkins foi no St. Giles House, aquelas coisas de ingleses. Ele é o chancellor da universidade, foi ministro, foi presidente da Comissão Europeia, quase primeiro-ministro. No discurso brincou com o “quase” haver sido, enquanto eu fui, mesmo, presidente… No Centro de Estudos Brasileiros, o nosso amigo Bethell fez um pequeno discurso, inauguramos uma placa, encontrei uma porção de pessoas amigas e retomamos o caminho para o aeroporto de Brighton. Tomamos o avião, voamos nove, quase dez horas, fomos parar em Santo Domingo.

Chegamos a Santo Domingo nesse mesmo dia 14, mas com diferença de horário, lá era mais cedo, dez da noite, mesmo assim cansadíssimos. Na viagem fui conversando com o Leôncio Martins Rodrigues,[154] meu velho amigo que viajou comigo, com os ministros, com o Tuma, com o Arnaldo Madeira e outros mais, como o embaixador [Marco] Naslauski,[155] de quem gosto. Chegamos a Santo Domingo, onde se usa uma guayabera sem gravata, que, aliás, é muito cômoda. Descemos no Aeroporto Internacional de Punta Cana e fomos para Bávaro. Muito agradável, o mar fantástico. Dormimos cansados e, no dia seguinte, sexta-feira 15 de novembro, a reunião começaria só à tarde. Fui para a praia de manhã, porque depois almoçaria com o rei da Espanha[156] e o [José María] Aznar,[157] já digo as razões.

Na praia foi muito agradável, mas me fotografaram de todo jeito, e os jornais do Brasil me estampam como figura não sei se indecorosa a essa altura da vida, só de calção de banho, coisa que sempre evitei nesses anos todos, por uma questão de pudor público. Não foram fotografadas a Ruth nem as crianças, o que já me deixou feliz, senão seria mais desagradável. Me encontrei na praia com [Carlos] Ruckauf, ministro do exterior da Argentina, com Martins, ministro do exterior de Portugal, com vários embaixadores, passeamos por ali. Enfim, a praia é linda, com um mar muito agradável e tudo o mais.

Dei uma entrevista para a televisão dominicana e fui almoçar com o [rei] Juan Carlos, com o Aznar, com o Jorge Sampaio e com o Durão Barroso. Aznar queria me apresentar uma proposta pela qual serei o responsável pela reorganização das cúpulas ibero-americanas depois de deixar a Presidência. Uma distinção para mim e ao mesmo tempo um problema, porque essas cúpulas não têm muito significado, não é fácil buscar identidades políticas simplesmente porque falamos quase a mesma língua em alguns pedaços ibéricos e outros aqui na América Latina. Há a vantagem de que a América Latina com isso se prende um pouco mais à Europa, o que é bom neste momento em que há tentações mais africanizantes. Um reforço europeizante não é mau do ponto de vista político e da percepção dos nossos dirigentes sobre o mundo e do mundo sobre nós. Mas é pouco para constituir uma comunidade de interesses, que ainda são raros, ralos. Eu não tinha outro jeito senão aceitar, porque pressenti que o Aznar queria me prestigiar. À tarde tivemos a abertura solene da cúpula, discurseira, jantar.

No dia seguinte, ontem, sábado 16, já foi diferente. Houve uma reunião de manhã e nela a proposta do Aznar foi formalmente apresentada. Essas cúpulas estão vazias, quase o tempo todo se falou disso, ou então cada um falou de seus problemas, dos efeitos da globalização e não sei o que mais. Iglesias fez uma apresentação admirável, a do [José Antonio] Ocampo também foi boa, ele é secretário executivo da Cepal. Pintaram o quadro da globalização e da recessão, mostrando como ambos estão afetando a América Latina. Não havia mais o que acrescentar, até comentei isso com Lagos. Eu apenas disse que tínhamos que evitar na América Latina dois riscos: de um lado o populismo; de outro, o fundamentalismo de mercado, que não está mais na cara, mas que já esteve e pode voltar. Ou pode haver uma pressão nesse sentido por parte dos organismos internacionais.

Bordei ao redor do tema mais que batido sobre o que penso a respeito da globalização, da função do FMI. A discurseira de sempre, o [Hugo] Chávez um pouco cansativo, repetindo o que diz sempre. Como o Fidel [Castro] não veio, Chávez retomou as críticas, em geral até justas, que os cubanos fazem à dominação americana, inclusive às imposições de mercado. Mas um pouco repetitivas, como se fosse uma coisa sem saída, uma tragédia, enquanto do outro lado haveria um paraíso encoberto. Nada marcante. O Lagos é quem sempre vai mais diretamente ao ponto. Fiz um elogio ao [Eduardo] Duhalde,[158] não só a ele, mas também ao presidente do Equador,[159] que é um homem de quem eu gosto e que teve um bom papel no Equador. Louvei o Duhalde mais fortemente por causa da situação da Argentina; acho que ele, com todas as dificuldades, evitou o caos, manteve a democracia.[160] Parece-me que vai passar o poder a outro, pela via eleitoral, o quanto antes. A eleição seria em maio.

O clima na cúpula é um pouco de repetição, um pouco de desânimo, pois a América Latina, como diz Ocampo, vai ter crescimento negativo e há dificuldades por todo o lado. O Aznar também é um homem que vai diretamente ao ponto, e o Jorge Sampaio é muito bom. No fundo, o Iglesias, o Jorge Sampaio, o Lagos e eu temos a mesma posição diante dos problemas do mundo e diante das dificuldades e alternativas. E sabemos também que não adianta ter lucidez; ela só aumenta o sofrimento, não ajuda necessariamente na solução dos problemas deste nosso mundo em que tudo é tão evasivo, tão difícil. Supondo que tenhamos lucidez…

Dessa breve turnê pelo mundo, volto com mais um doutorado, com muitas homenagens portuguesas, muitas homenagens espanholas, muitas homenagens latino-americanas, chegando ao fim do meu mandato e resistindo à ideia (que é do Aécio na verdade, mas da qual o PT gosta) de mudar para o futuro a data da eleição [para a posse não cair em 1º de janeiro e para um Congresso velho não sobreviver durante os três primeiros meses do ano com um governo novo]. Eles estão tomando esse assunto como se fosse um assunto menor, quando na verdade implica a prorrogação do mandato presidencial pelo Congresso, o que é uma coisa antidemocrática, mas não quero dar a sensação de que estou de birra, já disse. Não é isso, trata-se de uma questão essencial da democracia, não de algo simplesmente formal, de se fazer uma festa mais bonita ou menos bonita na posse. Não é para atrapalhar o Lula nem para me agradar, é uma questão realmente importante.

No Brasil, as contas de vários governadores não fecham, notadamente o de Minas, com o Aécio aflito e o Pedro Malan sem poder dar solução, porque é necessário haver uma maneira concreta de transferir recursos para tal ou tal estado, e não como eles querem, uma conta em aberto. Fizeram a gastança nos estados e agora a União paga tudo, não é justo. Isso vai ser meu grande problema até o próximo mês, porque depois acaba tudo.

Voltei com a Helena e com a Joana no avião neste domingo, elas, aliás, estão ótimas, vieram conversando, gostei muito. Vivas, simpáticas, contando com muita graça as dificuldades que tiveram com a segurança. Fiquei um pouco assustado porque uma delas disse que há mais de vinte empregados em casa. Esse é o estilo brasileiro que é preocupante. Elas são muito agradáveis, ainda estão dormindo aqui no Alvorada. Eu já acordei, a Ruth está lendo a entrevista que dei para o Roberto Pompeu, sobre a qual a Bia me telefonou ontem à noite, dizendo que gostou muito. Eu ainda não a li.

Hoje à noite vamos jantar eu, a Ruth, Marisa [Letícia Lula da Silva] e o Lula. Fiz aqui um rápido relato de minha viagem, onde tudo foi gratificante. Repito o que eu disse no discurso em Portugal: me dá até a impressão de que quem ganhou a eleição fui eu. Na verdade não foi assim, meu partido perdeu as eleições, meu candidato perdeu as eleições, mas essa transição e talvez esse sentimento de que realmente fizemos bastante coisa, sobretudo para manter um clima de civilidade, está tendo uma repercussão muito grande mundo afora. “Mundo afora” é modo de dizer; pelas elites dirigentes e por certos setores do mundo. Também aqui no Brasil os ódios, que estavam agitados e muito à flor da pele durante a campanha, estão amortecendo. Vamos ver hoje à noite durante minha conversa com o Lula. Mas ela será boa certamente. J

[1] Segundo turno das eleições presidenciais e, em alguns estados, para governador. Em 6 de outubro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencera o primeiro turno, com quase 20 milhões de votos a mais que José Serra (PSDB), ex-ministro do Planejamento (1995-96) e da Saúde (1998-2002). Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin disputava a eleição ao Palácio dos Bandeirantes contra José Genoino (PT). No Rio, Rosinha Garotinho (PSB) conquistara o Palácio Guanabara no primeiro turno. [As notas da piauí estão assinaladas como N. R.; as demais fazem parte da edição do livro Diários da Presidência: 2001-2002.]

[2] Vice-presidente de Assuntos Corporativos da AmBev, ex-ministro da Justiça (1997) e ex-presidente do Incra (1997-98). [N. R.]

[3] A ex-estatal Embratel enfrentava dificuldades financeiras e operacionais decorrentes da falência de sua controladora norte-americana, a MCI WorldCom, em julho de 2002. Além disso, disputas societárias entre fundos de pensão e seus sócios privados na gestão das operadoras de telefonia fixa e celular turvavam o ambiente de negócios do setor. [N. R.]

[4] Em abril de 2001, os reservatórios hidrelétricos do país atingiram níveis historicamente baixos com uma forte estiagem nas principais bacias produtoras. Em junho do mesmo ano, o governo impôs sobretaxação a consumidores residenciais, comerciais e industriais que não reduzissem o consumo de energia em até 20%, em média. Começava a “crise do apagão”. A partir de outubro de 2001, chuvas volumosas aliviaram a escassez e o racionamento foi suspenso em fevereiro de 2002, com o começo da operação de novas usinas termelétricas. [N. R.]

[5] Lei n º 8987, de 13 de fevereiro de 1995, que regulamenta concessões de serviços e obras públicas e permissões de serviços públicos.

[6] Deputada federal (PSDB-MS) e candidata ao governo sul-mato-grossense. [N. R.]

[7] De fato, a Embratel, privatizada em 1998, foi adquirida pela norte-americana MCI WorldCom (que mais tarde passou a se chamar WorldCom e, em 2002, pediu falência). A Embratel foi comprada pela mexicana Telmex apenas em 2004. [N. R.]

[8] Ministro das Comunicações. [N. R.]

[9] Presidente da Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações. [N. R.]

[10] Ministro-chefe da Casa Civil. [N. R.]

[11] Ex-governador de São Paulo (1975-79).

[12] Mulher de Paulo Egydio Martins.

[13] Proprietário do Banco Safra. [N. R.]

[14] Mulher de Joseph Safra.

[15] Vice-presidente da República pelo PFL, atual DEM. [N. R.]

[16] Mulher de Marco Maciel.

[17] Presidente do Unibanco, que se fundiu com o Banco Itaú em 2008. [N. R.]

[18] Editora, mulher de Pedro Moreira Salles.

[19] Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, criado em 1969 por um grupo de professores de diferentes áreas, cassados da universidade pela ditadura. [N. R.]

[20] Ex-deputado federal (1967-68), colunista de O Globo. [N. R.]

[21] Colunista de O Globo.

[22] Colunista de O Globo e comentarista do Jornal Nacional.

[23] Professora de sociologia da USP e ex-membro do Conselho de Reforma do Estado. [N. R.]

[24] Professora de ciência política da USP.

[25] Professora de filosofia da USP.

[26] Professor de filosofia da USP. [N. R.]

[27] Professor de filosofia da USP e ministro da Educação no governo Dilma Rousseff.

[28] Fernando Henrique Cardoso e a Reconstrução da Democracia no Brasil. São Paulo: Saraiva, 2002. Versão brasileira de Fernando Henrique Cardoso: Reinventing Democracy in Brazil (Boulder: Lynne Rienner, 1999).

[29] Empresário, amigo de Fernando Henrique Cardoso. [N. R.]

[30] Ex-governador de São Paulo durante a ditadura, ex-chanceler (governo Sarney) e pai de Maria do Carmo Sodré, mulher de Jovelino Mineiro.

[31] Embaixador do Brasil na Itália e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (1999-2001). [N. R.]

[32] Carolina Matarazzo. [N. R.]

[33] Ex-assessor especial da Presidência para assuntos sociais. [N. R.]

[34] No domingo, dia 27, Lula bateu Serra no segundo turno, mantendo a vantagem de quase 20 milhões de votos conquistada na primeira etapa. Alckmin chancelou sua vitória para o governo paulista, com 3,5 milhões de votos a mais que Genoino. A eleição de 2002 terminou com clara vantagem do PT no Legislativo, que elegeu 91 deputados federais (maior bancada da Câmara) e 10 senadores, enquanto o PSDB obteve 70 cadeiras na Câmara e 7 no Senado. [N. R.]

[35] Economista alemão radicado nos Estados Unidos, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados, em Princeton. [N. R.]

[36] Ex-premiê de Portugal. [N. R.]

[37] Presidente do Chile. [N. R.]

[38] Deputado espanhol e ex-presidente do governo. [N. R.]

[39] Instituto FHC, precursor da Fundação FHC, criada em 2004. [N. R.]

[40] Luiz Antônio Miranda.

[41] Antropóloga, assessora de Fernando Henrique para a organização de seus documentos pessoais na Presidência, hoje conservados na Fundação FHC. [N. R.]

[42] Os Cardoso possuíam um apartamento na Rua Maranhão e, depois da Presidência, se mudaram para a Rua Rio de Janeiro, ambos os endereços no bairro Higienópolis, em São Paulo. [N. R.]

[43] Catarina Rossi.

[44] Colunista da Folha de S.Paulo. [N. R.]

[45] Fernando Henrique Cardoso votava na Escola Estadual Prof. Alberto Levy, no bairro paulistano de Indianópolis. [N. R.]

[46] Senador reeleito (PFL-SP). [N. R.]

[47] Ministro da Fazenda. [N. R.]

[48] Ministro das Relações Exteriores. [N. R.]

[49] Em termos percentuais, Lula venceu o segundo turno presidencial com 61,3% dos votos válidos; Serra teve 38,7%. [N. R.]

[50] O pemedebista Joaquim Roriz venceu o petista Geraldo Magela com 16 mil votos de vantagem.

[51] O tucano Simão Jatene obteve 51,7% dos votos, contra 48,3% da petista Maria do Carmo.

[52] Luís Henrique (PMDB) impediu a reeleição de Esperidião Amin (PPB, atual Progressistas) com uma vantagem de menos de 21 mil votos. [N.R.]

[53] Zeca do PT foi reeleito com 53,7% dos votos.

[54] O tucano Cássio Cunha Lima, com 51,4% dos votos, derrotou Roberto Paulino (PMDB), que obteve 48,6%.

[55] Além dos citados, o PSDB conquistou os governos do Ceará (Lúcio Alcântara) e de Rondônia (Ivo Cassol).

[56] No Rio Grande do Sul foi eleito Germano Rigotto. Jarbas Vasconcelos foi reeleito em Pernambuco.

[57] Os governadores petistas do Acre (Jorge Viana) e do Mato Grosso do Sul foram reeleitos; no Piauí, Wellington Dias derrotou o pefelista Hugo Napoleão.

[58] Governadora do Rio de Janeiro (PT), assumira o cargo depois da renúncia de Anthony Garotinho, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial. [N. R.]

[59] Senador (PT-AC).

[60] Senadora (PT-AC). [N. R.]

[61] O partido campeão de governos estaduais foi o PSDB (7), seguido por PMDB (5), PFL (4), PSB (4), PT (3), PPS (2), PDT (1) e PSL (1).

[62] Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome.

[63] O Programa Alvorada, iniciado em 2000, investiu 13 bilhões de reais em projetos sociais para municípios de catorze estados com baixo índice de desenvolvimento humano (Nordeste mais Acre, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). [N. R.]

[64] Em 2001, pela primeira vez no governo FHC, o Brasil teve saldo comercial positivo, correspondente a 2,6 bilhões de dólares. Em 2002, o superávit atingiu 13 bilhões de dólares. [N. R.]

[65] A produção nacional de grãos passou de 81 milhões de toneladas na safra 1994-95 para 123 milhões de toneladas em 2002-03. [N. R.]

[66] Operação Bandeirante, órgão repressivo da ditadura militar instalado em São Paulo em 1969, com o apoio de grandes empresários. A Oban foi o protótipo dos DOI-Codi operados pelo Exército em vários estados. Em meados dos anos 1970, Fernando Henrique Cardoso foi detido durante 24 horas para “prestar esclarecimentos” sobre suas ligações com intelectuais trotskistas e sua amizade com o ex-ministro Roberto Campos.

[67] Referência ao projeto FX para a renovação da frota de caças supersônicos da Força Aérea Brasileira, que não resultou na aquisição de aeronaves. Em 2013, no âmbito do projeto FX2, o governo Dilma Rousseff anunciou a compra de 36 caças Gripen NG, fabricados pela Saab, ao preço de 5,4 bilhões de dólares. Os outros finalistas da licitação de 2002 eram o Sukhoi Su-35 (Rússia), o F-16 da Boeing (Estados Unidos) e o Mirage 2000BR da Dassault (França). [N. R.]

[68] O governo estudava alugar doze caças Kfir C-10 israelenses, derivados do Mirage francês, até a solução do impasse no projeto FX. A transação não foi realizada.

[69] Embaixador do Brasil na Rússia.

[70] Secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ex-ministro da Fazenda (1994). [N. R.]

[71] Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. [N. R.]

[72] Ministro de Ciência e Tecnologia. [N. R.]

[73] Governador de Minas Gerais (PMDB) e ex-presidente da República (1992-95). [N. R.]

[74] Embaixador do Brasil em Portugal e ex-ministro da Justiça (2000-01). [N. R.]

[75] Deputado federal (PSDB) e governador eleito de Minas Gerais. [N. R.]

[76] Ex-ministro do Exército (1999). [N. R.]

[77] Referência ao projeto de lei 6295/2002, que tramitava no Congresso, e em dezembro de 2002 foi convertido na lei nº 10628. A norma, mais tarde derrubada pelo STF, previa a extensão do foro privilegiado para ex-ocupantes de cargos como presidente e governador. [N. R.]

[78] Coordenador da equipe de transição petista.

[79] Deputado federal (PT-SP) e presidente nacional do partido. [N. R.]

[80] Coordenador-adjunto da equipe de transição petista.

[81] Vice-presidente eleito (PL).

[82] Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. [N. R.]

[83] Assinatura do decreto nº 4449, que implantou o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais e regulamentou outras normas relativas à reforma agrária.

[84] Ex-ministro do Desenvolvimento Agrário (1999-2002). [N. R.]

[85] Ministro do Desenvolvimento Agrário. [N. R.]

[86] Chefiados por Pedro Parente.

[87] Ex-secretário estadual de Transportes de São Paulo (governo Mário Covas).

[88] Coordenadora-geral do Conselho do Programa Comunidade Solidária e ex-assessora de Fernando Henrique Cardoso no Senado. [N. R.]

[89] Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. [N. R.]

[90] Governador de Sergipe (PSDB). [N. R.]

[91] Ex-ministra do Bem-Estar Social (governo Itamar) e mulher de Albano Franco.

[92] Colunista da Folha de S.Paulo. [N. R.]

[93] Diretor de jornalismo da TV Cultura.

[94] Jean Benoît Adolphe Marc d’Aviano, que abdicou em 2000 em favor de seu filho Henri.

[95] Princesa Joséphine-Charlotte da Bélgica.

[96] Albert II.

[97] Presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e ex-ministro das Relações Exteriores (1995-2001). [N. R.]

[98] O presidente se tratava de dores na coluna e em costela flutuante, causadas por desgaste ósseo. [N. R.]

[99] Mulher de Jovelino Mineiro. [N. R.]

[100] O Brasil comprou doze aeronaves de transporte C-295 da Casa (Construcciones Aeronáuticas S.A.), adquirida em 1999 pelo grupo EADS, atualmente integrante do consórcio Airbus. A empresa espanhola também venceu a licitação para modernizar a frota brasileira de nove P-3, aeronave de patrulha marítima fabricada pela norte-americana Lockheed Martin. [N. R.]

[101] Referência a denúncias de tráfico de influência na seguradora do BB atribuídas ao ex-secretário-geral da Presidência, divulgadas em 2000.

[102] Eduardo Guimarães. [N. R.]

[103] Diretor-executivo da Central Globo de Jornalismo. [N. R.]

[104] Secretária de Imprensa da Presidência. [N. R.]

[105] Diretor regional da Rede Globo em Brasília. [N. R.]

[106] Para a Oitava Reunião dos Ministros de Comércio do Hemisfério.

[107] Área de Livre Comércio das Américas, cuja criação fora acertada pelos países do continente na Primeira Cúpula das Américas, em 1994. A Alca entraria em vigor em 2005, mas não foi efetivada. [N. R.]

[108] Presidente da Petrobras. [N. R.]

[109] A moeda americana caíra 3,5% desde a eleição de Lula, voltando ao patamar de 3,60 reais, depois de alcançar 3,85 reais às vésperas do pleito. O risco-país caíra para a faixa de 1,7 mil pontos, mais de 700 pontos abaixo do pico de setembro. Em meados de 2002, o Brasil começara a enfrentar turbulências financeiras e cambiais atribuídas ao “risco-Lula”, índice informal criado pelo mercado para avaliar os impactos potenciais da eleição do petista à Presidência. [N. R.]

[110] O secretário de Comunicação Social se licenciara do cargo para trabalhar na campanha serrista. [N. R.]

[111] Presidente do BNDES. [N. R.]

[112] A Bolsa paulista acumulava alta de 17,9% desde o começo de outubro, a maior parte alcançada depois das eleições.

[113] FHC, Oito Anos Depois, veiculada na edição de 20 de novembro de 2002.

[114] Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). [N. R.]

[115] Entre 1º e 7 de setembro de 2002, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com apoio de partidos da oposição e movimentos sociais, organizou um plebiscito informal sobre a entrada do Brasil na Alca, reprovada por quase 100% dos 10 milhões de votantes. [N. R.]

[116] Entre os convidados, Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), David Feffer (Suzano), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Luiz Nascimento (Camargo Corrêa), Pedro Piva (Klabin), Lázaro Brandão e Márcio Cypriano (Bradesco), Benjamin Steinbruch (CSN), Kati Almeida Braga (Icatu) e Ricardo do Espírito Santo (grupo Espírito Santo).

[117] Senador por Alagoas e ex-ministro da Justiça (1998-99). [N. R.]

[118] O governador eleito de Minas Gerais pleiteava o ressarcimento de recursos estaduais empregados em obras de recuperação de rodovias federais desde os anos 1990 para aliviar a crise de caixa do estado. [N. R.]

[119] Sociólogo francês. [N. R.]

[120] Ex-presidente de Portugal. [N. R.]

[121] Diretora-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). [N. R.]

[122] A prefeitura paulistana, chefiada por Marta Suplicy (PT), declarou que exerceria a opção de adiar um pagamento de sua dívida com a União. O dólar e o risco-país tiveram alta diária de 4%.

[123] Deputado federal reeleito (PPB-MG) e líder do partido na Câmara. [N. R.]

[124] Senador reeleito (PFL-RN) e líder do partido no Senado. [N. R.]

[125] Governador de Goiás reeleito pelo PSDB. [N. R.]

[126] Governador tucano do Pará. [N. R.]

[127] Senador eleito (PSDB-CE) e ex-governador do estado. [N. R.]

[128] Terceiro Prêmio Jovem Cientista do Futuro e 18º Prêmio Jovem Cientista, ambos com o tema “Energia elétrica: geração, transmissão, distribuição e uso racional”.

[129] Vice-presidente das Organizações Globo. [N. R.]

[130] Pelo PPB. [N. R.]

[131] Presidente da Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta).

[132] Vice-presidente da Fenaseg.

[133] Banco vendido ao HSBC em 1997.

[134] Ministro da Agricultura. [N. R.]

[135] Sócio da construtora Andrade Gutierrez e presidente do Conselho de Administração da Telemar, empresa de telefonia fixa precursora da Oi. [N. R.]

[136] Assessora especial do Comunidade Solidária.

[137] Pseudônimo de Paulo Alberto Monteiro de Barros, senador (PSDB-RJ). [N. R.]

[138] Deputado federal reeleito (PSDB-SP) e líder do governo na Câmara. [N. R.]

[139] Entre 9 e 16 de novembro de 2002, o presidente viajou para uma visita oficial a Portugal para participar da Sexta Cimeira Luso-Brasileira; uma visita de trabalho ao Reino Unido; e uma visita oficial à República Dominicana, onde participou da 12ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.

[140] Subchefe da Casa Civil. [N. R.]

[141] Filha e neta do presidente, respectivamente. [N. R.]

[142] Mulher de José Gregori. [N. R.]

[143] Presidente de Portugal. [N. R.]

[144] Primeiro-ministro de Portugal. [N. R.]

[145] Embaixador do Brasil na Inglaterra. [N. R.]

[146] Professora de letras da USP e mulher de Celso Lafer. [N. R.]

[147] Sir Colin Lucas.

[148] O presidente falou na Cyril Foster Lecture de 2002, série anual sobre política. Em 2001, o palestrante fora Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU.

[149] Financista e empresário britânico.

[150] Ex-presidente do BNDES (1998) e ex-assessor especial da Presidência, um dos formuladores do Plano Real. [N. R.]

[151] Sir Roy Jenkins.

[152] Churchill. Londres: Macmillan, 2001. A versão brasileira foi publicada com o mesmo título em 2002 pela Nova Fronteira (RJ).

[153] Era dos Extremos: O Breve Século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

[154] Professor de ciência política da Unicamp. [N. R.]

[155] Diretor-geral da Agência Brasileira de Cooperação.

[156] Juan Carlos, que abdicou em 2014 em favor de seu filho Filipe, príncipe das Astúrias, entronizado como Filipe VI. [N. R.]

[157] Presidente do governo espanhol. [N. R.]

[158] Presidente da Argentina. [N. R.]

[159] Gustavo Noboa. [N. R.]

[160] Duhalde assumiu a Presidência da Argentina em janeiro de 2002, por eleição indireta, durante uma grave crise política e financeira no país. O presidente Fernando de la Rúa havia renunciado em dezembro, bem como seu substituto, Adolfo Rodríguez Saá. [N. R.]

 

Fernando Henrique Cardoso

Sociólogo, foi senador, ministro das Relações Exteriores e da Fazenda, e presidente da República por dois mandatos consecutivos

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