A teia de corrupção da maior narcotraficante do país
Ela empregou milhões de reais para corromper a Justiça, em diversas instâncias
Em um negócio dominado por homens, Karine Campos, mãe de duas crianças, de 8 e 5 anos, tem seu papel de destaque. Aos 47 anos, é considerada a maior narcotraficante brasileira. Só no último semestre de 2018, antes de ser alvo da Operação Alba Virus, da Polícia Federal, ela enviou mais de 3 toneladas de cocaína para o exterior.
A traficante e seu marido, Marcelo Ferreira, não foram capturados pela PF, mas a operação trouxe sérios prejuízos para o casal. Acabaram presos a mãe de Campos e dez subordinados que coordenavam a logística de transporte da droga até os portos. Os nomes de Campos e Ferreira foram incluídos na lista da Interpol.
Para evitar ser presa, Campos foi à luta. Passou a mobilizar traficantes, lobistas e advogados com o objetivo de corromper o Judiciário, não só nas ações penais decorrentes da Alba Virus, mas em outras operações policiais contra ela, o marido e os criminosos aliados. Na piauí deste mês, Allan de Abreu investiga as práticas de corrupção do casal, em diversas instâncias da Justiça.
Na clandestinidade, Campos movimentou malas com milhões de reais em espécie entre Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, e conversou abertamente com seus comparsas sobre o pagamento de propina a juízes em aplicativos de mensagens criptografadas, às quais a revista teve acesso.
Embora não sejam filiados a nenhuma facção criminosa, Campos e Ferreira são próximos da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), com destaque para André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap. Em razão dos negócios, a traficante e o marido sempre se interessaram em ajudar a tirar André do Rap da cadeia. Por isso, acionaram o advogado Anderson dos Santos Domingues, que ingressou com pedidos de habeas corpus em favor do traficante no TRF da 3ª Região e no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Perdeu em ambas as instâncias.
Em setembro de 2020, restava uma última opção: recorrer ao STF. Naquele mês, o recurso acabou distribuído para o ministro Marco Aurélio Mello, então membro da Corte. Ao contrário do que acontecera no TRF e no STJ, dessa vez o pedido de André do Rap não vinha assinado por Anderson Domingues, mas pela advogada Ana Luísa Gonçalves Rocha, uma jovem de 24 anos, recém-formada, que, no ano anterior, havia sido estagiária no gabinete de Marco Aurélio Mello e se tornara sócia de Eduardo Ubaldo Barbosa, um ex-assessor do ministro.
A piauí apurou que o ex-assessor pediu à estagiária que assinasse o pedido sob o argumento de que seu nome não poderia aparecer no processo. A jovem aceitou a incumbência, ainda que nunca tivesse atuado em casos penais. Diálogos de Karine Campos obtidos pela reportagem indicam que o traficante do PCC pagou 5 milhões de dólares pela decisão de Marco Aurélio, e que o valor era alto porque havia muitas pessoas “mordendo” o dinheiro.
Assinantes da revista podem ler a íntegra da reportagem neste link.
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