Igualdades

Porteira aberta para os agrotóxicos

Emily Almeida, Luigi Mazza e Renata Buono
27maio2019_09h55

Poucas coisas funcionam com tanta eficiência no governo Bolsonaro quanto a liberação do uso de agrotóxicos. Em menos de cinco meses de mandato, o país abriu as portas para 169 venenos desse tipo – que são usados em larga escala para combater pragas na agricultura e podem causar danos ao meio ambiente, aos animais e ao ser humano. Não é de hoje que o país tem destaque no uso desses produtos: em 2016, as lavouras brasileiras receberam um quinto de todo o agrotóxico usado no mundo.

A média mensal de liberação de agrotóxicos durante o governo Bolsonaro é 3 vezes maior do que a de 2009 a 2015. A aprovação de uso de agrotóxicos cresceu no governo Temer e continua acelerando.

Em média, o Brasil importa por ano 363 mil toneladas de agrotóxicos – o mesmo peso do Empire State Building, em Nova York.

Em 2016, o Brasil aplicou 777,4 mil toneladas de agrotóxicos agrícolas nas suas lavouras – praticamente o dobro do que foi aplicado nos Estados Unidos (407,7 mil toneladas). Os Estados Unidos são os maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas, enquanto o Brasil ocupa o quinto lugar nesse ranking.

Registrar um agrotóxico no Brasil custava, em 2015, 526 dólares. Segundo a Anvisa, naquele ano, a mesma operação saía por 630 mil dólares nos Estados Unidos – 1.197 vezes mais caro.

Para cada litro de cerveja que o Brasil exportou para a Argentina em 2018, importou do país dois quilos de inseticida.

O risco de alguém se contaminar com agrotóxicos ao consumir uvas é 4 vezes maior que ao comer morangos. A uva e o morango estão entre as frutas sem casca com maior prevalência de agrotóxicos.

Fontes: Ministério da Agricultura; Ibama; FAO; Ministério da Economia; Anvisa.

Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

Repórter da piauí

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

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Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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