Sidônio Palmeira, o GPS do governo Lula
Há um ano como chefe da comunicação do governo, o marqueteiro tomou gosto pela briga
A nomeação do marqueteiro baiano Sidônio Palmeira como ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, em janeiro deste ano, marcou uma guinada no governo. “A partir do dia 1º de janeiro não tem mais entrega. A partir do dia 1º, é dia da colheita”, disse Lula num discurso em dezembro de 2024, no qual reclamou da comunicação e virtualmente demitiu o então ministro da Secom, Paulo Pimenta (PT-RS). Sidônio foi anunciado em seguida.
Instalado no segundo andar do Palácio do Planalto, onde fica a Secom, Sidônio tem acesso fácil ao gabinete de Lula, um andar acima. Tornou-se conselheiro de todas as horas. Quando estourou o escândalo das fraudes do INSS, em abril, o ministro estava lá, pressionando pela demissão do presidente do instituto.
Segundo sua agenda oficial, ele esteve com o presidente 106 vezes até o começo de novembro, em solenidades e reuniões a portas fechadas. Foram menos reuniões com o presidente do que teve Rui Costa (191), da Casa Civil, e quase o dobro de Haddad (59), conta Luigi Mazza em seu perfil de Sidônio Palmeira na edição deste mês da piauí.
O cálculo não inclui encontros informais e telefonemas. “Toda reunião que tive com o Sidônio foi interrompida porque ele teve que ir pro gabinete do presidente”, diz Éden Valadares, secretário Nacional de Comunicação do PT. Ele diz que o marqueteiro ainda não conseguiu implementar todas as mudanças que quer porque Lula lhe demanda o tempo todo.
O jornalista Mário Rosa, veterano das consultorias de comunicação e gestão de crise, não se surpreende com facilidade, mas diz que nunca tinha visto um marqueteiro ministro de Estado. “É como se tivesse uma agência de publicidade do lado do presidente da República o tempo todo, e não só quando começa a campanha”, diz Rosa. “Agora o Lula acorda de manhã e tem um GPS pra se orientar.”
Sidônio tem 67 anos, mas as roupas despojadas e a barba rala lhe dão um aspecto juvenil. Evita marcar compromissos pela manhã, porque é quando Lula costuma chamá-lo para discutir o noticiário e as pautas do governo. As conversas duram entre uma e duas horas. O ministro almoça sempre em um mesmo restaurante vegano da Asa Sul que apelidou de “farmacinha”. É zeloso com a saúde, gosta de andar de bicicleta e nunca come açúcar.
Também não gosta de aparecer na imprensa e dá poucas declarações públicas. Quando fala com jornalistas, é em off – ou seja, sob condição de anonimato. No começo de outubro, ele recebeu a piauí em seu gabinete no Planalto, mas não quis dar entrevista. Pediu a subordinados e aliados, como Geraldo Alckmin, que falassem em seu lugar.
Depois de um ano no governo, Sidônio parece ter tomado gosto pela briga. No começo de outubro, quando a Câmara derrubou a medida da Fazenda para taxação de fintechs e bets, o ministro quis que as redes do governo protestassem. Foi convencido pelos auxiliares de que era um passo arriscado. A Secom havia entrado de cabeça na pauta do imposto de renda, mas defender a aprovação de um projeto do governo é diferente de reclamar de uma decisão de outro poder, no calor do momento. O post, que estava quase pronto, foi arquivado.
Recentemente, uma série de postagens em tom alarmista denunciou que o projeto de lei antifacção, apresentado pelo governo, vinha sendo deturpado pela oposição no Congresso. Foi mesmo, e o governo, apesar da campanha intensa da Secom, acabou derrotado. Nem todos os posts passam por Sidônio, e a equipe aproveita para esticar a corda. Depois que a isenção do imposto de renda foi aprovada, em 1º de outubro, os perfis da Secom passaram a militar pelo fim da escala 6×1, uma pauta que nem é unanimidade no governo.
Assinantes da revista podem ler a íntegra da reportagem neste link.
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