maratona piauí cbn de podcast

Um podcast pra chamar de seu: os temas de cada tribo

Futebol, feminismo e história motivam conteúdos produzidos para grupos específicos; para realizadores, nem todo patrocínio é bom

17ago2019_13h40
Filipe Figueiredo, Gabriela Santos e a mediadora Paula Scarpin
Filipe Figueiredo, Gabriela Santos e a mediadora Paula Scarpin FOTO: MARCELO SARAIVA

A produção de podcasts voltados para nichos específicos – como entusiastas de futebol, geopolítica, feminismo e celebridades – foi o assunto da mesa “Temas e Tribos”, da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, que acontece neste sábado, 17 de agosto, em São Paulo. O evento está sendo realizado no auditório da ESPM na Vila Mariana. Com mediação da diretora de criação da Rádio Novelo, Paula Scarpin, Filipe Figueiredo, apresentador do Fronteiras Invisíveis do Futebol, e Gabriela Santos, do Pretas na Rede, falaram sobre suas rotinas de trabalho e como surgiu a ideia de criar um programa de áudio. Os dois podcasts contam com um público fiel de seguidores nas redes.

“A gente faz o que quer fazer, e por alguma coincidência do universo as pessoas gostam”, brincou Figueiredo. Segundo ele, o Fronteiras Invisíveis do Futebol – publicado quinzenalmente – conta com audiência mensal entre 40 mil e 45 mil downloads.

O programa trata principalmente de história e geopolítica, tendo o esporte como condutor da narrativa. “O futebol é uma desculpa”, explicou. A ideia surgiu a partir de trabalhos que Figueiredo fez na USP junto com o colega Matias Pinto, hoje também apresentador do podcast. Os dois se dividem na produção do programa. “Podcast hoje é como o Cinema Novo: você só precisa de uma ideia na cabeça e um microfone na mão”.

No caso do Pretas, a dinâmica é diferente. O programa não é gravado presencialmente, mas por meio de plataformas de vídeo online. As apresentadoras moram em diferentes estados, e a maioria delas sequer se conhece pessoalmente. “Nós escolhemos um tema, criamos uma pauta estudada, para saber mais sobre o assunto, e marcamos uma data.”



Não há temática fixa no programa. Os assuntos variam de feminismo a celebridades, de empreendedorismo negro a pagode. “É um podcast no qual quatro mulheres pretas falam sobre tudo, provando que além de negritude nós tratamos de outras temáticas”, explica Santos. O público, segundo ela, não se restringe a pessoas negras, e; os ouvintes têm, em média, entre 30 e 35 anos.

Ao tratar de financiamento, os dois podcasters concordaram em um ponto: nem todo patrocínio é bom. Diferentemente de grandes veículos de comunicação, nos quais a publicidade tem efeito difuso, nos podcasts a relação entre apresentadores e ouvintes é de confiança e gera efeitos claros. Santos relatou que, recentemente, o Pretas recusou um patrocínio porque o produto em questão não dialogava com os assuntos tratados no programa. “Eu perguntei: vocês já ouviram o nosso programa?”

Para Figueiredo, “cabe aos podcasters saber valorizar o próprio passe”. Segundo ele, é mais importante saber recusar do que aceitar oportunidades de financiamento. “Se você ficar anunciando tudo, uma hora ninguém vai te ouvir mais.”

 

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