vultos da Copa

Uma finta na idade

Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira

20jun2018_23h57
Ademir da Guia, meio-campo da seleção de 74, em entrevista à série <i>Futebol</i>
Ademir da Guia, meio-campo da seleção de 74, em entrevista à série Futebol / REPRODUÇÃO

O meio-campo espanhol Andrés Iniesta saiu na metade do segundo tempo, cansado, na partida desta quarta-feira contra o Irã – não sem antes dar o passe para o único gol do jogo, que deu a vitória à sua seleção. Em abril, alegando desgaste físico, ele deixou o Barcelona, onde jogava desde 1996, e foi disputar o campeonato japonês. Aos 34 anos, o autor do gol do título mundial de 2010 avisou que esta é sua última Copa.

Nem todo futebolista sabe a hora de parar. Na opinião de Ademir da Guia, ídolo do Palmeiras e da seleção de 74, ele não adivinha nunca. “O jogador sempre acredita que pode fazer mais um contrato”, disse, em depoimento gravado originalmente para a série Futebol, entre 1996 e 1998.

Na Copa da Rússia o jogador mais velho é o goleiro egípcio Essam El-Hadary, de 45 anos. No gol, sente menos a idade. Zizinho, o mestre Ziza, meia-armador da seleção de 50, foi até os 40 anos. Ele tem um bom termômetro para a chegada do fim de carreira: “Os garotos começam a ganhar de você na corrida, então você tem que driblar eles duas vezes. Aí chega”. Mas só serve para craques.

Até o fim da Copa, a piauí vai publicar trechos – alguns deles inéditos – de depoimentos de jogadores das principais seleções brasileiras em Copas do Mundo, como as de 58, 62 e 70. É como se eles estivessem comentando a Copa da Rússia. As gravações foram feitas para a série documental Futebol, de João Moreira Salles e Arthur Fontes, exibida em maio de 1998 no canal GNT. A direção de fotografia é de Walter Carvalho.

Vídeos da série “Diz aí, mestre”:

– Barbosa lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo;
– Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem;
– Hilderaldo Bellini relata como recebeu a braçadeira de capitão;
Os craques Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo.

Ficha técnica da série “Diz aí, mestre”
Reportagem: Christian Carvalho Cruz
Edição e montagem: Camila Zarur
Edição de imagem: Paula Cardoso
Locução: Luigi Mazza
Imagens: Folhapress e Getty Images
Coordenação: José Roberto de Toledo e Vitor Hugo Brandalise
Agradecimentos: VideoFilmes, Museu do Futebol e Museu da Pelada

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