vultos da Copa

Dario, o órfão, ex-ladrão e ex-grosso que virou Dadá

O campeão mundial em 70 relembra o seu começo no futebol, do primeiro chute aos 19 anos ao técnico que percebeu nele, apesar dos tropeções, um goleador

10jul2018_22h50
Dadá Maravilha, da seleção brasileira de 70, em entrevista à série <i>Futebol</i>
Dadá Maravilha, da seleção brasileira de 70, em entrevista à série Futebol /REPRODUÇÃO

O atacante uruguaio Cavani cresceu em uma casa sem água quente, sem banheiro e sem calefação. O belga Lukaku tomava leite que a mãe misturava com água para render mais. Beiranvand, goleiro do Irã, foi morador de rua. E o meio-campista Xhaka nasceu na Suíça porque sua família fugiu para lá depois que o pai foi torturado e preso por defender a independência do Kosovo, na antiga Iugoslávia.

Numa Copa do Mundo, as coisas ficam bem claras: nunca é só futebol. Dario, o Dadá Maravilha da seleção brasileira do mundial de 70, relembra sua infância de abandono e correria – na adolescência, no caso dele, mais fora dos campos do que dentro. “Correr de tiro e da polícia: não tem melhor treinamento”, comentou Dadá, sobre os tempos em que chegou a roubar, em entrevista gravada para a série Futebol, entre 1996 e 1998.

Até o fim da Copa, a piauí vai publicar trechos – alguns deles inéditos – de depoimentos de jogadores das principais seleções brasileiras em Copas do Mundo, como as de 58, 62 e 70. É como se eles estivessem comentando a Copa da Rússia. As gravações foram feitas para a série Futebol, de João Moreira Salles e Arthur Fontes, exibida em maio de 1998 no canal GNT. A direção de fotografia é de Walter Carvalho.

Vídeos da série “Diz aí, mestre”:



– Zizinho, Barbosa, Nilton Santos e o técnico Flávio Costa reconstituem as horas seguintes ao Maracanaço, a tragédia do Mundial de 50;
– As histórias de Garrincha, o ponta-direita mais habilidoso – e despreocupado – da história da seleção brasileira;
– Tostão explica a diferença entre um gênio e um bom jogador;
– Joel, Didi e Bellini relatam a hora da arrancada para o primeiro título mundial do Brasil, em 58;
– Dadá Maravilha e Zizinho relembram as manhas para infernizar a vida dos oponentes numa Copa;
– Zico conta o que é perder um pênalti em jogo decisivo de Copa do Mundo, como o que ele errou em 86;
– Bellini, Zizinho, Telê Santana e Nilton Santos medem a pressão sobre o jogador do Brasil em um Mundial;
– Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem;
– Flávio Costa, técnico da seleção de 50, e Telê Santana, de 82 e 86, explicam o papel do treinador dentro e fora de um Mundial; 
– Nilton Santos, Tostão e Telê Santana investigam a relação de amor e ódio do brasileiro com a seleção;
– Barbosa lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo;
– Nilton Santos e Zezé Moreira lembram da desolação de deixar uma Copa no meio do caminho – como para os times que já caíram na Rússia;
– Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira;
– Bellini relata como recebeu a braçadeira de capitão em 58;
– Os craques Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo.

Ficha técnica da série “Diz aí, mestre”
Reportagem: Christian Carvalho Cruz
Edição e montagem: Camila Zarur
Edição de imagem: Paula Cardoso
Locução: Luigi Mazza
Imagens: Folhapress e Getty Images
Coordenação: José Roberto de Toledo e Vitor Hugo Brandalise
Agradecimentos: VideoFilmes, Museu do Futebol e Museu da Pelada

 

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