vultos da Copa

Série da piauí traz vídeos inéditos de craques das Copas

Em “Diz aí, mestre”, jogadores como Nilton Santos, Didi, Vavá e Bellini recuperam histórias de seus mundiais para iluminar a Copa de 2018

14jun2018_20h19
Bellini, capitão do Brasil na Copa de 58, em entrevista à série <i>Futebol</i>
Bellini, capitão do Brasil na Copa de 58, em entrevista à série Futebol / REPRODUÇÃO

Este é o primeiro vídeo da série “Diz aí, mestre”, que traz trechos inéditos de depoimentos de jogadores das principais seleções brasileiras em Copas do Mundo, como as de 58, 62 e 70. As gravações foram feitas para a série documental Futebol, de João Moreira Salles e Arthur Fontes, exibida em maio de 1998 no canal GNT. A direção de fotografia é de Walter Carvalho.

A partir desta quinta-feira e até o final da Copa, a piauí vai publicar os relatos dos jogadores, em que recuperam histórias que podem ajudar a iluminar o Mundial de 2018. Nilton Santos, Bellini, Didi, Zizinho, Domingos da Guia, entre outros craques, a maioria já mortos, aparecerão nos vídeos – produzidos com os trechos inéditos e outros que estão no documentário.

No primeiro vídeo de “Diz aí, mestre”, o capitão da seleção de 58, Hilderaldo Bellini, conta como recebeu a braçadeira do treinador Vicente Feola. A escolha por Bellini contrasta com a opção de Tite, que prefere um rodízio de jogadores e até aqui não nomeou um capitão fixo para o seu time.

A série Futebol começou a ser gravada em janeiro de 1996. Durante dois anos e quatro meses foram feitas 202 entrevistas, com 25 jogadores, treinadores que fizeram história e personagens anônimos do futebol. Filmada em película de 16 milímetros, a série retrata em três episódios as trajetórias de futebolistas, das peneiras antes da profissionalização aos momentos de glória, das alegrias no esporte até o fim, por vezes melancólico, da carreira de um jogador. O cenário preferencial das filmagens foram campos de futebol – 25, no total.

Logo após o lançamento, o botafoguense João Moreira Salles e o tricolor fluminense Arthur Fontes escreveram sobre por que decidiram produzir a série. “Esses jogadores eram, e serão sempre, os nossos heróis. Ou, se vocês quiserem, os nossos astronautas. (…) Se lá na América eles chegaram na Lua, por aqui os nossos foram à Suécia, ao Chile, ao México, ao Maracanã, ao Pacaembu, ao Olímpico, ao Mineirão – e voltaram vencedores. E para quem acha a comparação piegas, a gente se desculpa mas mantém: são astronautas. Pelé é astronauta, Telê é astronauta, Flávio Costa, Tostão, Joel, Dadá, Afonsinho, Aymoré e Zezé Moreira, todos eles são astronautas. Ou alguém imagina que para um garoto nascido e criado em, digamos, Pau Grande, sem escola e com pouca comida, Estocolmo é menos distante e esquisita do que a Lua para um cientista da Nasa?”

Das filmagens feitas entre 1996 e 1998, o jornalista Roberto Benevides, que integrou a equipe de Futebol, guarda a admiração dos jogadores com a criatividade do futebol brasileiro e a frustração generalizada com os dirigentes. “Nilton Santos resumiu bem: ‘O jogador  brasileiro sempre foi bom em todas as épocas. Nosso inimigo sempre foi a desorganização. Todas as vezes que organizou, o Brasil ganhou’”, relembrou Benevides.

Vídeos da série “Diz aí, mestre”:

– Tostão explica a diferença entre um gênio e um bom jogador;
– Barbosa lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo;
– Dadá Maravilha e Zizinho relembram as manhas para infernizar a vida dos oponentes numa Copa;
– Bellini, Zizinho, Telê Santana e Nilton Santos medem a pressão sobre o jogador do Brasil em um Mundial;
– Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem;
– Nilton Santos, Tostão e Telê Santana investigam a relação de amor e ódio do brasileiro com a seleção;
– Joel, Didi e Bellini relatam a hora da arrancada para o primeiro título mundial do Brasil, em 58;
– Nilton Santos e Zezé Moreira lembram da desolação de deixar uma Copa no meio do caminho – como para os times que já caíram na Rússia;
– Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira;
– Flávio Costa, técnico da seleção de 50, e Telê Santana, de 82 e 86, explicam o papel do treinador dentro e fora de um Mundial;
– O bicampeões mundiais Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo em um jogo de Copa.

Ficha técnica da série “Diz aí, mestre”
Reportagem: Christian Carvalho Cruz
Edição e montagem: Camila Zarur
Locução: Luigi Mazza
Imagens: Folhapress e Getty Images
Coordenação: José Roberto de Toledo e Vitor Hugo Brandalise
Agradecimentos: VideoFilmes, Museu do Futebol e Museu da Pelada

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