vultos da Copa

Jogador malandro e sem cabeleireiro

Zizinho, eleito o melhor do Mundial de 50, e Dadá Maravilha, da seleção de 70, relembram as manhas para infernizar a vida dos zagueiros numa Copa, sem precisar de laquê

25jun2018_23h47
Zizinho, em entrevista à série<i> Futebol</i>
Zizinho, em entrevista à série Futebol / REPRODUÇÃO

No futebol jogado na Copa da Rússia, a rebeldia parece ser mais coisa da cabeça de alguns jogadores. Mais precisamente, dos cabelos deles: descoloridos, desenhados, desgrenhados, grudadinhos, com gumex ou laquê. São os marrentos de salão do futebol moderno.

Zizinho, o Mestre Ziza, eleito o melhor do Mundial de 50, conta o que era ser um “jogador de personalidade”. “Sou rebelde até hoje, não vou mudar nunca. Eu era sempre assim. Por isso não fui para os campeonatos de 54 e de 58. Iam cortar um garoto pra me levar. Comigo, não”, contou, em depoimento gravado originalmente à série documental Futebol, entre 1996 e 1998.

E Dario, o Dadá Maravilha, relembrou as manhas do rebelde raiz que infernizava a vida dos zagueiros. “Os beques me agarravam e eu falava, sossega, eu sou casado. Pra correr comigo pega um táxi. É assim, tudo na psicologia. Tem que ter manha”, disse o atacante, para quem “Pelé, Garrincha e Dadá têm que ser currículo escolar”.

Até o fim da Copa, a piauí vai publicar trechos – alguns deles inéditos – de depoimentos de jogadores das principais seleções brasileiras em Copas do Mundo, como as de 58, 62 e 70. É como se eles estivessem comentando a Copa da Rússia. As gravações foram feitas para a série Futebol, de João Moreira Salles e Arthur Fontes, exibida em maio de 1998 no canal GNT. A direção de fotografia é de Walter Carvalho.

Vídeos da série “Diz aí, mestre”:

– Tostão explica a diferença entre um gênio e um bom jogador;
– Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem;
– Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira;
– Nilton Santos, Tostão e Telê Santana investigam a relação de amor e ódio do brasileiro com a seleção;
– Barbosa lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo;
– Bellini relata como recebeu a braçadeira de capitão;
– Os craques Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo.

Ficha técnica da série “Diz aí, mestre”
Reportagem: Christian Carvalho Cruz
Edição e montagem: Camila Zarur
Edição de imagem: Paula Cardoso
Locução: Luigi Mazza
Imagens: Folhapress, Getty Images, FIFA e Instagram
Coordenação: José Roberto de Toledo e Vitor Hugo Brandalise
Agradecimentos: VideoFilmes, Museu do Futebol e Museu da Pelada

Leia também

Últimas

Infelizes como nunca

Pesquisa mostra que o brasileiro jamais se sentiu tão infeliz como na pandemia – e que o país é desigual até na infelicidade

Cinco anos para proteger dados sobre manutenção de veículos da Marinha e pesquisas aeroespaciais

Marinha mantém em sigilo por cinco anos documentos sobre veículos – mesmo tempo pelo qual a Agência Espacial Brasileira (AEB) oculta pesquisas sobre foguetes

Mais médicos mal formados

Em duas décadas, Brasil abriu 247 cursos de medicina – uns de excelência e outros onde falta de tudo, de microscópio a paciente para o aluno aprender procedimentos complexos

Até cem anos de sigilo para vacina de Bolsonaro e 41 para documentos americanos sobre ditadura no Brasil

Carteira de vacinação do presidente ficará em sigilo por até cem anos; papéis americanos sobre ditadura brasileira foram mantidos ocultos por 41 anos e 11 meses

Sangue e audiência

Plataformas de streaming apostam em crimes de repercussão nacional e, após sucesso de O Caso Evandro no Globoplay, Netflix responde com série documental sobre Elize Matsunaga

Atraso e confusão na segunda dose da vacina

Promessa de acelerar calendário de vacinação terá de concluir imunização de quem parou na primeira dose – pelo menos 1 milhão de pessoas em apenas oito estados do país

Até cem anos de proteção a Pazuello e cinco para quem denunciou milícia no Rio

Justificativa foi de que documentos continham informação pessoal; o de Pazuello ganhou sigilo de um século, e as cartas, de cinco anos

Mais textos