vultos da Copa

Quando a Copa termina antes da hora

Nilton Santos e Zezé Moreira lembram a pancadaria na eliminação do Brasil em 54 e a desolação de deixar um Mundial no meio do caminho – como para as seleções que já caíram na Rússia

28jun2018_22h49
Nilton Santos, em entrevista à série <i>Futebol</i>
Nilton Santos, em entrevista à série Futebol / REPRODUÇÃO

Com o fim da primeira fase da Copa, 16 seleções voltaram para casa. Ao menos uma delas partiu mais alegre do que chegou: o Panamá marcou seu primeiro gol em mundiais. Mas quase todas vão embora desoladas, como o Irã, que sentiu que dava, mas, na hora H, não deu. E o Senegal, que ficou de fora das oitavas de final por causa do número de cartões recebidos.

As cenas de jogadores e torcedores dos times eliminados são comoventes como só uma desclassificação de Copa do Mundo pode ser. Em 1954, na Suíça, o Brasil caiu depois de uma tremenda lambança. Teve de tudo: do desconhecimento do regulamento contra a Iugoslávia à pancadaria total contra a Hungria – um 4 a 2 que entrou para a história das Copas como “A Batalha de Berna”.

O lateral Nilton Santos e o técnico Zezé Moreira estavam lá e contam como foi aquela partida. “Desci para o vestiário com a chuteira do Didi na mão e, no caminho, um húngaro me chamou e cuspiu em mim. Eu joguei a chuteira e abri a cabeça dele”, lembrou Zezé Moreira, técnico da seleção em 54, em entrevista gravada originalmente para a série Futebol, entre 1996 e 1998. “Eu não ia permitir que um cara falasse assim comigo.”



Até o fim da Copa, a piauí vai publicar trechos – alguns deles inéditos – de depoimentos de jogadores das principais seleções brasileiras em Copas do Mundo, como as de 58, 62 e 70. É como se eles estivessem comentando a Copa da Rússia. As gravações foram feitas para a série Futebol, de João Moreira Salles e Arthur Fontes, exibida em maio de 1998 no canal GNT. A direção de fotografia é de Walter Carvalho.

Vídeos da série “Diz aí, mestre”:

– Tostão explica a diferença entre um gênio e um bom jogador;
– Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem;
– Nilton Santos, Tostão e Telê Santana investigam a relação de amor e ódio do brasileiro com a seleção;
– Dadá Maravilha e Zizinho relembram as manhas para infernizar a vida dos oponentes numa Copa;
– Bellini, Zizinho, Telê Santana e Nilton Santos medem a pressão sobre o jogador do Brasil em um Mundial;
– Barbosa
lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo;
– Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira;
– Bellini relata como recebeu a braçadeira de capitão em 58;
– Os craques Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo.

Ficha técnica da série “Diz aí, mestre”
Reportagem: Christian Carvalho Cruz
Edição e montagem: Camila Zarur
Edição de imagem: Paula Cardoso
Locução: Luigi Mazza
Imagens: Folhapress, Getty Images, FIFA e Acervo Correio da Manhã
Coordenação: José Roberto de Toledo e Vitor Hugo Brandalise
Agradecimentos: VideoFilmes, Museu do Futebol e Museu da Pelada

Leia também

Relacionadas Últimas

Didi ensina a arte do meia-armador, aquele que Tite não tem

Série “Diz aí, mestre” recupera entrevistas com os grandes da seleção brasileira

Nilton Santos e Didi contam como driblavam o medo antes da estreia

Até o fim da Copa, a série “Diz aí, mestre” recupera histórias de jogadores das principais seleções brasileiras em mundiais

45 anos de pena por um palpite errado

Titular da seleção de 50, Barbosa lembra o quanto custa o erro de um goleiro numa Copa do Mundo; De Gea é candidato a descobrir

Bellini ensina a disfarçar o nervosismo em jogo de Copa

Zizinho, Nilton Santos, Telê Santana e o capitão de 58 medem a tonelagem da pressão sobre o jogador do Brasil em um Mundial

Do inferno ao céu, de chuteiras

Em vídeo da série "Diz aí, mestre", os campeões mundiais Nilton Santos e Tostão e o técnico do time de 82 e 86, Telê Santana, investigam o caso de amor e ódio do torcedor brasileiro com a sua seleção

Jogador malandro e sem cabeleireiro

Zizinho, eleito o melhor do Mundial de 50, e Dadá Maravilha, da seleção de 70, relembram as manhas para infernizar a vida dos zagueiros numa Copa, sem precisar de laquê

O craque segundo Tostão

Uma das estrelas da Copa, o português Cristiano Ronaldo é um gênio ou um bom jogador? Tostão, titular da seleção do tri em 70, explica a diferença

Uma finta na idade

Zizinho e Ademir da Guia falam da dor de deixar os gramados e das artimanhas do craque para adiar o fim da carreira

Série da piauí traz vídeos inéditos de craques das Copas

Em “Diz aí, mestre”, jogadores como Nilton Santos, Didi, Vavá e Bellini recuperam histórias de seus mundiais para iluminar a Copa de 2018

Os nossos astronautas

Os diretores de Futebol explicam por que escolheram o esporte como tema da série documental*

O mantra do negacionismo namastê

Praticantes de um estilo de vida supostamente saudável recorrem à desinformação e recusam a vacina

A única semelhança

Cientista de dados negro, preso por engano no Rio depois de reconhecimento por foto, narra os dias no cárcere e a dificuldade para ser solto

Nos erros de reconhecimento facial, um “caso isolado” atrás do outro

Presos por engano, cientista de dados, mototaxista e motorista têm algo mais em comum: são negros

Foro de Teresina #169: O vírus mal-disfarçado do bolsonarismo

O podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Na crise climática, Congresso tira o corpo fora

Metade dos parlamentares se diz muito preocupada com o meio ambiente no Brasil, mas só 7% acham que seus colegas têm o mesmo interesse; maioria atribui a crise ao governo

O adeus de Merkel, a anti-Trump

Enquanto nos Estados Unidos e no Brasil debate público virou briga de rua, política alemã mostrou com sua chanceler a assepsia de um seminário de pós-graduação – o que também está longe do ideal

Mais textos